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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Ataque de tubarão: diferenças entre casos em Pernambuco

Ataque de tubarão: diferenças entre casos em Pernambuco

Ataque de tubarão: diferenças entre casos em Pernambuco – Incidentes recentes registrados em Fernando de Noronha e em Olinda chamaram atenção para o comportamento de espécies distintas que circulam na costa pernambucana.

Enquanto uma turista sofreu ferimentos leves na ilha, um adolescente perdeu a vida na Praia Del Chifre. O engenheiro de pesca Léo Veras, com mais de 30 anos de pesquisa sobre tubarões, explicou por que as consequências foram tão diferentes.

Dentição é fator decisivo na gravidade

De acordo com Veras, o ataque leve em Noronha foi provocado por um tubarão-lixa, animal cuja arcada contém dentes pequenos, adaptados à sucção e não ao rasgo. Já em Olinda, o tubarão-cabeça-chata, identificado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit), possui dentes afiados e fortes, capazes de arrancar tecido com facilidade.

A forma das marcas na vítima serve como “impressão digital” para confirmar a espécie, diz o pesquisador. Dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) mostram que o cabeçuda está entre os três tubarões mais agressivos registrados no litoral do Estado.

Por que a Praia Del Chifre oferece mais risco

Situada ao norte da foz do Rio Capibaribe, a praia recebe águas turvas carregadas de detritos e matéria orgânica. Esse material atrai peixes e, consequentemente, tubarões interessados em alimento fácil.

Segundo Veras, a arrebentação agitada funciona como corredor de caça: “O mar revolto disfarça a aproximação do predador e favorece ataques rápidos”, explicou. Ele recomenda evitar banho e esportes aquáticos na região, sobretudo em maré cheia ou após chuvas fortes, quando a turbidez aumenta.

Como reduzir o risco de incidentes

Especialistas sugerem evitar entrar na água ao amanhecer ou entardecer, quando os tubarões se alimentam com mais frequência, e nunca nadar próximo a estuários. Vestir roupas de cores discretas e não portar objetos brilhantes também ajuda a não chamar a atenção dos animais.

Pernambuco possui o Programa de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Pomit), que orienta banhistas e sinaliza áreas de risco. Em caso de ferimento, a recomendação é buscar atendimento médico imediato e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193.

No litoral pernambucano, 29 casos com registro oficial envolveram tubarões desde 2015, e metade ocorreu em áreas próximas a rios, segundo levantamento do Cemit publicado em 2023.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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