Wagner Moura fala ao New York Times sobre O Agente Secreto
Wagner Moura fala ao New York Times sobre O Agente Secreto – Em entrevista publicada no último sábado (10 de janeiro) pelo jornal norte-americano The New York Times, o ator brasileiro detalhou bastidores do filme “O Agente Secreto”, sua presença na temporada de premiações e sua visão sobre política no Brasil.
A publicação descreveu Moura como um dos nomes mais fortes do momento e destacou projeções de especialistas que veem chance real de o baiano receber sua primeira indicação ao Oscar, ao lado de Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan.
Campanha por prêmios e recusa a estereótipos
Sobre a intensa agenda de eventos, Moura lembrou que já disputa o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama, entregue neste domingo (11). Ele disse ter recusado convites de grandes estúdios após “Narcos” (2016) para evitar papéis que reforcem estereótipos de latinos.
Segundo o ator, empresários chegaram a questionar sua estratégia, mas ele prefere “interpretar personagens chamados Michael”, argumentando que não trabalha “apenas pelo dinheiro”. No ano passado, apenas 3 % dos papéis de protagonistas em Hollywood foram ocupados por latinos, de acordo com o Annenberg Inclusion Initiative da Universidade do Sul da Califórnia, dado que reforça o cenário mencionado por Moura.
Paralelos entre Bolsonaro e Trump
Moura também comparou as reações dos ex-presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump após as derrotas eleitorais. Ele elogiou a rapidez com que a Justiça brasileira apontou financiadores e responsabilizou envolvidos nos atos de 8 de janeiro, afirmando que “os brasileiros conhecem o que é uma ditadura”.
O artista criticou acusações de que intelectuais e artistas formariam uma “elite contra o povo”, estratégia que, segundo ele, remete ao manual do fascismo. “Bolsonaro agora está na cadeia, enquanto Caetano Veloso sempre será Caetano Veloso”, resumiu.
Sucesso de bilheteria e memória histórica
Com mais de um milhão de ingressos vendidos, “O Agente Secreto” repassa os anos da ditadura militar (1964-1985). Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam que produções nacionais com temática histórica responderam por 15 % da bilheteria doméstica em 2025, mostrando interesse renovado do público.

Para Moura, lançar o filme enquanto o Brasil “acerta as contas com o passado” amplia o debate sobre democracia. A organização do Globo de Ouro também aponta que narrativas políticas ganharam força nas premiações recentes.
Na mesma entrevista, o NYT lembrou a trajetória do ator, das novelas brasileiras ao sucesso de “Tropa de Elite”, destacando seu humor irreverente, cabelos grisalhos e voz “profunda e ressonante”.
No streaming, “O Agente Secreto” ainda não tem data oficial de estreia, mas a distribuidora confirma negociações para lançamento global.
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Crédito da imagem: Divulgação