Von der Leyen diz que velha ordem acabou em Davos
Velha ordem é a expressão usada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para definir que o equilíbrio geopolítico construído após a Segunda Guerra terminou, segundo discurso feito no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na última semana.
Dirigindo-se a líderes empresariais e chefes de Estado, a dirigente destacou a necessidade de uma “nova arquitetura de segurança” no continente diante de conflitos simultâneos que vão da invasão russa à Ucrânia às tensões no Oriente Médio.
Discurso foca segurança e multilateralismo
Ao defender o fortalecimento da defesa europeia, Von der Leyen citou acordos em negociação com Mercosul, México e nações asiáticas como prova de que “a Europa escolhe o mundo, e o mundo escolhe a Europa”. O pronunciamento completo foi publicado no site oficial da Comissão Europeia; confira a íntegra.
Ela ressaltou que, com Estados Unidos e Rússia investindo pesadamente em armamentos, o bloco precisa “adaptar-se às realidades atuais” para continuar relevante. A fala ecoa preocupações de aliados da Otan sobre dependência externa de tecnologia militar.
Corrida armamentista em números
Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) indicam que os gastos militares globais atingiram US$ 2,24 trilhões em 2023, alta de 3,7% em relação ao ano anterior. Desse total, Estados Unidos respondem por 39%, enquanto a Europa concentrou 23% — maior fatia desde o fim da Guerra Fria.
Especialistas observam que o aumento de 13% no orçamento de defesa europeu, impulsionado principalmente por Alemanha, Polônia e Países Bálticos, reflete o esforço para dissuadir novas ofensivas no Leste Europeu.
Impacto para a América Latina
Embora distante dos principais focos de tensão, a América Latina pode se beneficiar de eventuais acordos comerciais com a União Europeia. Estudo do Ministério da Economia aponta que o tratado Mercosul-UE pode elevar em 10% as exportações brasileiras de manufaturados até 2035, ampliando a integração em cadeias de valor.

Para especialistas em relações internacionais, o reposicionamento europeu também abre espaço para colaboração em temas como transição energética, já que o bloco busca diversificar fontes de matérias-primas críticas, inclusive de países da região amazônica.
No cenário descrito por Von der Leyen, a recomposição das alianças ainda está em curso e deve depender tanto de instrumentos diplomáticos quanto de dissuasão militar.
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