Venezuela precisa de R$ 300 bi para reativar petróleo
Indústria petrolífera venezuelana pede R$ 300 bilhões – Estimativa apresentada pelo ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, mostra que o setor de óleo e gás da Venezuela exigirá ao menos R$ 308 bilhões em investimentos para recuperar uma infraestrutura deteriorada por décadas de subfinanciamento e sanções.
O cálculo faz parte de relatório da consultoria Aurum Tank, distribuído recentemente a investidores internacionais interessados em oportunidades no país sul-americano.
Panorama dos investimentos necessários
Segundo o estudo, cerca de R$ 150 bilhões seriam aplicados na modernização de poços e unidades de extração, enquanto R$ 40 bilhões cobririam a atualização dos 25 oleodutos, muitos com mais de 50 anos.
Já o parque de refino, composto por cinco refinarias que hoje operam com apenas 10 % da capacidade, demandaria aproximadamente R$ 118 bilhões. Esses valores incluem troca de equipamentos, automação e recomposição do quadro técnico.
Desafios estruturais e gargalos
A Venezuela detém as maiores reservas provadas de petróleo do mundo — 303,8 bilhões de barris, segundo a Agência Internacional de Energia — mas responde por apenas 1 % da oferta global.
O país também concentra 73 % das reservas de gás natural da América do Sul, porém é um dos líderes mundiais em queima de gás por falta de infraestrutura de aproveitamento. Dados do IBGE indicam que o flaring representa perda significativa de receita energética e financeira.
Além da obsolescência física, o relatório cita alta carga fiscal, insegurança jurídica e sanções que dificultam a entrada de tecnologia estrangeira como obstáculos à retomada.

Impacto regional e cenário geopolítico
A China, principal compradora atual, absorve cerca de 430 mil barris diários, 80 % das exportações venezuelanas, mas paga preços com desconto. Já companhias norte-americanas, como ExxonMobil e Chevron, condicionam qualquer retorno ao país à aprovação de um novo marco regulatório.
Analistas apontam que, se a produção voltar a níveis de 15 anos atrás, o aumento de oferta poderia pressionar para baixo o preço internacional do barril, beneficiando importadores de derivados, como o Brasil.
No entanto, a Aurum Tank conclui que a plena recuperação levaria ao menos uma década, mesmo com aporte bilionário e ambiente político favorável. Para acompanhar outras análises sobre economia mundial, visite nossa editoria de Mundo.
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