UFPE: 649 perseguidos pela ditadura entre 1964 e 1985
UFPE: 649 perseguidos pela ditadura entre 1964 e 1985 – Na terça-feira (31 de março de 2026), a Comissão da Verdade, Memória e Reparação da Universidade Federal de Pernambuco divulgou levantamento que identifica 649 professores, estudantes e técnicos alvo de perseguição durante o regime militar brasileiro (1964-1985).
Do total mapeado, 403 pessoas sofreram algum tipo de violação, incluindo prisões, tortura, desligamentos e expulsões. Foram confirmadas seis mortes, 156 prisões, 60 casos de tortura e 26 de sequestro.
Alcance das violações no campus
A maior parte dos afetados estava vinculada aos cursos de Direito (119 registros) e Medicina (99 registros), além de centros como Filosofia e Ciências Humanas (47) e Engenharia (46).
Entre os registros, 71% eram homens e 74% eram alunos. A comissão também apontou 35 desligamentos de estudantes, 10 demissões de docentes e dezenas de sanções acadêmicas e administrativas.
Para contextualizar a dimensão da violência política no país, a pesquisa pode ser confrontada com dados nacionais como os do Atlas da Violência (IPEA), fonte referência sobre índices de violência e suas consequências sociais.
Investigação, memórias e trajetórias
O relatório é resultado da análise de ofícios, documentos institucionais e arquivos e terá continuidade pelos próximos três anos, segundo os responsáveis pela comissão.
Entre os casos citados está o do advogado Marcelo Santa Cruz, que teve o registro de aluno cassado em 1969 e só retomou os estudos em 1972 no Rio de Janeiro. Seu irmão, Fernando Santa Cruz, integrante da Ação Popular, foi preso em 23 de fevereiro de 1974 e desapareceu.
O levantamento também trouxe à tona medidas como proibição de matrícula por três anos, perda de bolsas e impedimentos para assumir cargos; em um caso, um reitor renunciou sob pressão do regime.
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Crédito da imagem: Divulgação / Jarbas Araújo