Trump teria planejado captura de Maduro após dancinhas
Trump teria planejado captura de Maduro após dancinhas – Relatos internos da Casa Branca indicam que as aparições de Nicolás Maduro dançando em comícios, amplamente exibidas pela TV estatal venezuelana, serviram de “gota d’água” para a equipe de Donald Trump avançar num plano de captura do líder venezuelano, em 2020.
À época, o então presidente dos Estados Unidos já havia autorizado sanções econômicas mais severas contra Caracas e oferecido recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.
Como surgiu o plano sigiloso
Segundo ex-assessores ouvidos por veículos de imprensa norte-americanos, Trump enxergava as “dancinhas” como prova de deboche do governo venezuelano diante das pressões internacionais. Esse sentimento teria impulsionado discussões para uma operação eventual de extração, alinhada a acusações de narcoterrorismo formalizadas pelo Departamento de Justiça em março de 2020.
O contexto incluía tentativas fracassadas de diálogo mediadas pela Noruega e a escalada de denúncias de violação de direitos humanos registradas por organismos como a ONU. Em meio a esse cenário, especialistas em segurança nacional defendiam que uma ação direta poderia desestabilizar a região, argumento que prevaleceu e engavetou a proposta.
Impacto diplomático e números do êxodo
A crise venezuelana já obrigou mais de 7,7 milhões de pessoas a deixar o país, segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). A imigração pressiona especialmente Colômbia, Peru e Brasil, que concentram quase metade desse contingente.
No Brasil, o governo federal registrou cerca de 427 mil venezuelanos em situação regular até o fim de 2023, de acordo com o Ministério da Justiça. Programas como a Operação Acolhida, em Roraima, distribuem vacinas, abrigo e cursos de português na tentativa de integrar os recém-chegados ao mercado de trabalho.

Analistas de relações internacionais apontam que, embora o plano de captura não tenha avançado, a ofensiva diplomática norte-americana manteve o isolamento financeiro de Maduro. Em 2022, a flexibilização parcial das sanções para o setor de petróleo sinalizou mudança de tom na gestão Joe Biden, mas a Casa Branca condiciona qualquer alívio duradouro à realização de eleições livres na Venezuela.
No fim das contas, as “dancinhas” ganharam status de anedota nos bastidores de Washington, mas escancararam a tensão crescente entre os dois governos.
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Crédito da imagem: Divulgação