Tensão entre Colômbia e Equador preocupa Brasil
Tensão entre Colômbia e Equador preocupa Brasil — Líderes políticos sul-americanos observam com cautela o cenário regional depois que o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciou tarifa de 30% sobre mercadorias importadas da Colômbia, alegando falta de cooperação no combate ao narcotráfico e à mineração ilegal.
A medida protecionista, formalizada no início da semana, incide sobre itens agrícolas, têxteis e produtos químicos, gerando reações imediatas de empresários e autoridades colombianas. O governo de Bogotá classifica a tarifa como “injustificada” e estuda represálias na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Entenda a origem do conflito
Equador e Colômbia compartilham mais de 580 km de fronteira florestal, rota estratégica para o escoamento de cocaína destinada aos portos do Pacífico. Quito argumenta que os esforços de vigilância não têm sido correspondidos pelo vizinho, o que sobrecarrega forças de segurança locais.
Segundo relatório recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a região andina concentra quase 60% da produção global de coca, intensificando disputas por território entre grupos armados e garimpeiros ilegais.
Impactos para o comércio brasileiro
O Brasil mantém corrente de comércio anual de cerca de US$ 6 bilhões com Colômbia e Equador somados. Analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) avaliam que a escalada tarifária pode redirecionar demanda por insumos agrícolas para fornecedores brasileiros, mas também elevar custos logísticos de cadeias integradas.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que “acompanha de perto” a situação e defende solução negociada. O Itamaraty teme reflexos em blocos regionais, como a Aliança do Pacífico e o Prosul, além de impactos em rotas de exportação via Pacífico utilizadas por empresas brasileiras.
Próximos passos e tentativa de diálogo
Representantes de ambos os países devem se reunir na primeira quinzena de junho, em Quito, com mediação da Comunidade Andina de Nações (CAN). O objetivo é revisar estatísticas de apreensões de drogas, mapear pontos críticos na fronteira e avaliar possíveis ajustes na tarifa.

Caso não haja acordo, a Colômbia pode adotar contramedidas, incluindo sobretaxa sobre energia elétrica equatoriana, enquanto o Equador cogita ampliar restrições a produtos perecíveis, o que afetaria diretamente pequenos produtores de flores na região de Nariño.
No Brasil, setores de logística portuária monitoram a tensão para ajustar rotas alternativas. Já especialistas em segurança regional ressaltam a necessidade de cooperação trilateral para frear o avanço de cartéis que atuam nos três países.
Para acompanhar desdobramentos da crise diplomática e outras notícias internacionais, acesse nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação