Tempo de TV nas eleições de Pernambuco: quem larga na frente?
Tempo de TV nas eleições de Pernambuco – A distribuição do horário eleitoral gratuito, decisiva para a visibilidade dos candidatos em 2024, coloca João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSDB) em uma disputa milimétrica pelos segundos preciosos na grade das emissoras.
Embora o debate político tenha migrado fortemente para as redes sociais, os blocos televisivos e as inserções ao longo do dia continuam sendo a vitrine de maior alcance no estado, especialmente no interior, onde a TV aberta segue líder de audiência.
Como é calculada a divisão do espaço
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reserva, tradicionalmente, 25 minutos para o programa em bloco e 70 minutos diários para inserções de 30 e 60 segundos. Metade desse tempo é rateada igualitariamente entre todas as candidaturas; a outra metade leva em conta o tamanho das bancadas eleitas na Câmara Federal em 2022.
Segundo o TSE, partidos que não alcançaram o mínimo de representantes ficam restritos às inserções e podem, inclusive, ficar sem o programa em bloco. Por isso, coligações robustas tendem a acumular fatias maiores.
Projeção para João Campos e Raquel Lyra
Se mantiver a coligação firmada em 2022 — PSB, PT, PCdoB, PV e outras siglas — João Campos pode assegurar aproximadamente 3 min 40 s nos blocos e cerca de 25 inserções diárias, segundo projeções de analistas eleitorais.
Raquel Lyra, com PSDB, Cidadania e a possibilidade de atrair o União Brasil, chegaria perto de 2 min 50 s nos blocos e 18 a 20 inserções por dia. O número cresce ou encolhe conforme novas alianças sejam oficializadas até a convenção partidária, no fim de julho.
Impacto estratégico e histórico em Pernambuco
Levantamentos do Ibope entre 2014 e 2022 indicam que, no estado, 68 % dos eleitores ainda declaram assistir ao horário eleitoral “sempre” ou “às vezes”. Essa exposição ajuda a consolidar imagem, sobretudo entre eleitores de baixa renda e escolaridade, segmento que representa 54 % do eleitorado pernambucano, de acordo com o IBGE.
Contudo, especialistas alertam que segundos a mais não garantem vitória: em 2022, candidatos que tiveram menos de três minutos, como Marília Arraes, foram ao segundo turno. A tendência para 2024 é combinar forte presença digital com o tempo de TV para maximizar alcance.

Nos bastidores, partidos ainda negociam federações, que contam como uma única sigla para o cálculo do TSE, podendo alterar completamente as contas até o registro oficial das candidaturas.
No cenário atual, Campos larga com pequena vantagem cronometrada, mas Lyra aposta em alianças para reduzir a diferença e ampliar a cobertura estadual de sua propaganda.
O quadro definitivo será conhecido somente após a homologação das coligações, prevista para o início de agosto. Até lá, cada segundo segue em aberto — e disputado voto a voto.
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Crédito da imagem: Divulgação