Senado debate reciclagem de peças de veículos no Brasil
A Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal analisou, em Brasília, proposta que inclui a reciclagem de peças de veículos automotores na Política Nacional de Resíduos Sólidos. O texto também estabelece regras para a circularidade de baterias elétricas, tema considerado urgente pelo colegiado.
Parlamentares ouviram especialistas do setor automotivo e de logística reversa, que defenderam incentivos fiscais e metas obrigatórias para evitar que milhões de componentes continuem descartados em lixões ou ferros-velhos informais.
Mudanças sugeridas para a Política de Resíduos
O projeto amplia a responsabilidade pós-consumo de fabricantes, importadores e oficinas, obrigando-os a coletar e destinar corretamente itens como faróis, para-choques, pneus e fluidos. Segundo dados do IBGE, o Brasil gera mais de 1,5 milhão de toneladas de sucata automotiva por ano, mas menos de 30% recebe tratamento adequado.
A iniciativa também cria um cadastro nacional de desmontes credenciados, medida apontada como fundamental para rastrear peças reutilizadas com segurança e reduzir o mercado ilegal de autopeças roubadas.
Baterias elétricas entram no radar
Com o crescimento da frota híbrida e elétrica, outro ponto debatido foi o destino das baterias de íons de lítio. O texto prevê que, ao fim da vida útil, o componente seja reaproveitado em sistemas de armazenamento estacionário ou enviado à reciclagem química, evitando contaminação por metais pesados.
Especialistas destacaram que, até 2030, o país pode gerar 45 mil toneladas de baterias descartadas, mas a recuperação de materiais críticos como cobalto e níquel pode movimentar um mercado de R$ 6 bilhões, criando empregos verdes na cadeia de reciclagem.
Próximos passos e impactos esperados
O relator prometeu apresentar parecer ainda neste semestre. Caso seja aprovado na comissão, o texto segue para a Câmara dos Deputados. Entidades do setor avaliam que a proposta alinha o Brasil às diretrizes da União Europeia, que já exige até 85% de reaproveitamento de peso veicular.
A medida também pode ajudar estados e municípios a reduzirem custos com aterros sanitários, já que peças metálicas ocupam grande volume e demoram décadas para se decompor.
No encerramento, senadores defenderam campanhas educativas para motoristas e oficinas, reforçando que a reciclagem de peças de veículos é responsabilidade compartilhada entre governo, indústria e consumidor. Para ler outras notícias sobre iniciativas sustentáveis no estado, acesse nossa editoria de Pernambuco.
