Senado cria comissão para apurar fraude do Banco Master
Senado cria comissão para apurar fraude do Banco Master – A Comissão de Assuntos Econômicos instalou, em 4 de fevereiro, uma subcomissão destinada a acompanhar as investigações sobre as supostas fraudes bilionárias do Banco Master, apontadas como as maiores da história bancária do país.
Com 13 senadores, o colegiado será presidido por Renan Calheiros (MDB-AL) e atuará de forma complementar a eventuais CPIs, concentrando-se na fiscalização do sistema financeiro, prerrogativa da CAE.
Estrutura e poderes da nova subcomissão
O grupo poderá propor quebras de sigilo bancário e telefônico, realizar diligências, visitar órgãos de controle e convocar investigados ou testemunhas. Segundo Calheiros, tais medidas serão submetidas ao plenário do Senado para validação, conforme a Lei Complementar 105/2001.
Entre as primeiras ações previstas está um encontro com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para esclarecer possíveis atrasos na liquidação do Master e obter dados oficiais que ajudem na reconstrução do fluxo de recursos.
Impactos no sistema financeiro e próximos passos
As perdas podem chegar a R$ 17 bilhões, valor que supera fraudes bancárias clássicas como o caso Nacional (1995) e o PanAmericano (2010). Para o senador, também será fundamental apurar a tentativa de compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), além de supostas pressões políticas exercidas sobre o Tribunal de Contas da União e o Fundo Garantidor de Créditos.
Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostram que golpes eletrônicos geraram prejuízos de R$ 2,7 bilhões ao setor apenas em 2025, reforçando a necessidade de mecanismos mais rígidos de supervisão e governança.
Paralelamente, parlamentares da oposição protocolaram requerimento para abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), iniciativa que ainda depende de decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Na Câmara, outros pedidos de CPI também tramitam.

Os trabalhos da subcomissão devem durar 180 dias, prorrogáveis, e culminar em relatório final com recomendação de medidas legislativas ou encaminhamentos ao Ministério Público e aos órgãos de controle.
No Senado, a expectativa é que audiências públicas com investidores lesados, representantes do Banco Central, do BRB e do Fundo Garantidor de Créditos ocorram já nas próximas semanas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil