Segundo turno presidencial em Portugal quebra tradição de 40 anos
Segundo turno presidencial em Portugal – Pela primeira vez desde 1986, os eleitores portugueses voltarão às urnas em 8 de fevereiro para definir quem ocupará a Chefia de Estado.
Nenhum dos sete candidatos alcançou mais de 50% dos votos na primeira volta realizada em 18 de janeiro, abrindo espaço para um duelo entre António José Seguro (Partido Socialista) e André Ventura (Chega).
Resultados confirmam polarização
Com 100% das seções apuradas, Seguro liderou com 31,13%, seguido por Ventura, que recebeu 23,49% dos votos. João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal) terminou em terceiro, com 15,99%.
O cenário encerra quatro décadas em que todos os presidentes eram definidos em votação única, algo permitido pela Constituição de 1976 sempre que um candidato supera a maioria absoluta. Dados oficiais podem ser consultados na Comissão Nacional de Eleições.
Papéis e poderes do presidente português
Diferentemente de regimes presidencialistas, Portugal adota o semipresidencialismo. O primeiro-ministro conduz o Executivo, mas o presidente tem prerrogativas estratégicas: chefia das Forças Armadas, poder de dissolver o Parlamento, veto a leis e convocação de eleições antecipadas em crises graves.
Quem vencer sucederá Marcelo Rebelo de Sousa, que encerra dois mandatos consecutivos, limite máximo permitido.
Discursos pós-urna e desafios
Logo após a apuração, Seguro pediu apoio de “democratas e progressistas” para conter “discursos de ódio”. Ventura, por sua vez, celebrou o avanço inédito da extrema-direita, defendendo “mudança no sistema político”.

Além de conquistar o eleitorado que votou em outros candidatos, ambos precisarão lidar com abstenção historicamente alta: em 2021, por exemplo, 60,5% dos portugueses não foram às urnas, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
No dia 8 de fevereiro, mais de 10,8 milhões de cidadãos estão aptos a votar em 3 092 freguesias espalhadas por Portugal Continental, ilhas e exterior.
O Tribunal Constitucional confirma que, caso nenhum concorrente recue, o segundo turno ocorrerá mesmo se um deles obtiver maioria de apoio parlamentar antes da data.
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