SBT, Record e Band precisam investir no digital
SBT, Record e Band precisam investir no digital – A chegada de novos players, como o fenômeno CazéTV, sacudiu o mercado de streaming brasileiro e expôs a distância que separa as três redes abertas do topo da corrida on-line.
Embora já disponibilizem seus programas na internet, as emissoras continuam tratando as plataformas próprias como simples complemento da grade televisiva tradicional, sem apostar em conteúdos exclusivos, modelos modernos de monetização ou campanhas de divulgação robustas.
Paisagem competitiva em rápida mudança
A Globo enxergou cedo o potencial do ambiente virtual e transformou o Globoplay em pilar estratégico, com séries originais, transmissões simultâneas e pacotes de assinatura que integram TV e digital. O crescimento do canal GE TV, lançado em setembro, ilustra esse avanço.
Ao mesmo tempo, o consumo on-line só aumenta: segundo dados do IBGE sobre acesso à internet, 90% dos domicílios brasileiros já estavam conectados em 2022, alta de cinco pontos percentuais em dois anos.
Movimentos tímidos das concorrentes
A Record testou transmissões do Campeonato Paulista com o time do canal “Desimpedidos”, mas a ausência de ações de marketing reduziu o alcance da iniciativa. Já o SBT enfrenta ruídos internos após terceirizar, sem autorização formal, parte de sua assessoria de imprensa artística.
Na Band, as novidades ficam mais concentradas na grade linear, enquanto projetos digitais permanecem como repositório de reprises. Sem investimento constante, a audiência on-line não se converte em receita publicitária relevante.
O que falta para virar o jogo
Especialistas indicam três passos para as emissoras: criar conteúdo pensado primeiro para o streaming, intensificar a integração com redes sociais para gerar comunidade e estruturar ofertas pagas que combinem eventos esportivos, novelas, podcasts e serviços on-demand.

Diversificar fontes de renda é crucial. Em 2023, o mercado global de vídeo on-demand movimentou US$ 98 bilhões, de acordo com projeção da consultoria Statista, e deve ultrapassar US$ 150 bilhões até 2028.
Sem uma virada estratégica, SBT, Record e Band correm o risco de perder relevância entre os espectadores mais jovens, acostumados a clicar em vez de zapear.
No fechamento desta reportagem, nenhuma das três redes havia anunciado plano estruturado de expansão digital para 2024, mas executivos ouvidos nos bastidores admitem que o tema virou prioridade nas próximas reuniões de planejamento.
Para acompanhar as novidades do entretenimento e da cultura pop, acesse nossa editoria Pop.
Crédito da imagem: Divulgação