Repercussão global à prisão de Nicolás Maduro pelos EUA
Repercussão global à prisão de Nicolás Maduro pelos EUA – A captura do presidente venezuelano, anunciada por Washington na manhã de sábado (3 de janeiro), provocou respostas imediatas de líderes da América Latina, Europa e Oriente Médio.
Enquanto alguns governos saudaram a detenção como avanço democrático, outras nações classificaram a operação como violação da soberania da Venezuela e alertaram para riscos de escalada militar.
Líderes sul-americanos divididos
Em nota oficial, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva chamou a ação norte-americana de “afronta gravíssima”, defendendo que a ONU coordene um diálogo multilateral para evitar “um mundo de violência, caos e instabilidade”.
No extremo oposto, o argentino Javier Milei comemorou o episódio nas redes sociais: “A liberdade avança, viva a liberdade”. Também crítico a qualquer intervenção, o colombiano Gustavo Petro relatou preocupação com moradores da faixa de fronteira e anunciou um plano de contingência humanitária.
Já o chileno Gabriel Boric pediu “solução pacífica” conduzida por organismos multilaterais. A postura ecoa resoluções recentes do Conselho de Segurança da ONU, que reiteram preferência por negociações em crises regionais.
Apoio e condenação fora da região
Cuba e Irã classificaram a operação dos EUA como “terrorismo de Estado” e exigiram resposta imediata da comunidade internacional. Em Moscou, o Ministério das Relações Exteriores ofereceu intermediação para “evitar nova escalada”.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer negou qualquer envolvimento britânico e cobrou esclarecimentos formais de Washington.
Contexto geopolítico e impacto humanitário
Segundo dados do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, mais de 7,7 milhões de venezuelanos já deixaram o país desde 2015, pressionando sistemas de saúde e emprego nos vizinhos sul-americanos.

Analistas lembram que o petróleo responde por quase 95 % das exportações venezuelanas. Uma mudança abrupta de governo pode desestabilizar o mercado internacional de energia, já tensionado por conflitos no Oriente Médio.
Embora a Casa Branca justifique a detenção como resposta a “graves violações de direitos humanos”, especialistas em direito internacional citam precedentes do Tribunal de Haia que restringem ações unilaterais em territórios soberanos.
O desfecho agora depende da reação do Conselho de Segurança: para que sanções ou medidas de força sejam legitimadas, cinco membros permanentes precisam aprovar uma resolução, cenário considerado improvável diante do veto russo e chinês.
Os próximos dias serão decisivos para definir se o episódio levará a negociações ou reforçará a polarização no continente. Para acompanhar a cobertura completa sobre diplomacia e tensões globais, acesse nossa editoria de Mundo.
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