Preço do gás natural no Brasil segue entre os mais altos
Preço do gás natural no Brasil segue entre os mais altos – Mesmo após a sanção do Programa Gás para Empregar, o valor do gás natural vendido às famílias e empresas brasileiras continua entre os maiores do planeta, com novas altas impulsionadas por tributos estaduais.
Um levantamento da plataforma GlobalPetrolPrices.com mostra que o Brasil só perde para a Suécia no ranking de tarifas domésticas e lidera o custo para o setor produtivo, superando Estados Unidos, China e Índia.
Tributação estadual pressiona o bolso do consumidor
Desde 2025, sete estados, entre eles Pernambuco, aprovaram reajustes de ICMS e de margens de distribuição a toque de caixa, gerando impacto extra estimado em R$ 600 milhões por ano, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
No caso pernambucano, a Copergás aplica alíquotas de 20,5% de ICMS e 9,25% de PIS/Cofins. Na prática, quem consome até 1 000 m³ paga R$ 3,6183 por metro cúbico; acima de 225 000 m³, a tarifa cai ligeiramente para R$ 3,3867.
A diferença concentra-se no chamado “último quilômetro” – o trecho operado pelas distribuidoras estaduais, fora da regulação da Agência Nacional do Petróleo (ANP). É nesse ponto que aumentos aprovados em prazos inferiores a 15 dias neutralizam a queda de custo obtida na origem.
Indústria reclama e governo cobra coerência regulatória
A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) classifica o reajuste médio de 1,84% autorizado pela Agência Reguladora de Pernambuco (ARPE) como um golpe na competitividade local. A entidade argumenta que o gás natural responde por mais da metade dos custos energéticos de vários segmentos.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirma que a abertura do mercado “exige coerência regulatória” e que ganhos de eficiência não podem ser “apropriados por margens excessivas”. O governo estuda, junto à ANP e à Empresa de Pesquisa Energética, metodologias para padronizar tarifas e garantir previsibilidade.
Segundo dados do IBGE, a parcela de energia domiciliar medida pelo IPCA ficou 12,5% mais cara nos últimos 12 meses, puxada principalmente por gás de botijão e gás encanado, corroborando a preocupação de consumidores e especialistas.

Para o IBP, a solução passa por processos transparentes nas revisões tarifárias, com audiências públicas amplas e respeito ao princípio da modicidade. “Sem essas condições, a molécula mais barata não chegará ao usuário final”, alerta a entidade.
No cenário internacional, estudo da Fundação Getulio Vargas demonstra que a própria produção da “molécula” ainda pesa: 53% do preço final cobrado da indústria brasileira corresponde ao custo do insumo, patamar superior ao observado em países concorrentes. O desafio, portanto, combina redução tributária, expansão de infraestrutura e barateamento da produção no pré-sal.
Enquanto governo federal, ANP, distribuidoras e estados negociam saídas, o consumidor segue pagando caro pelo gás que deveria impulsionar neoindustrialização e atrair investimentos.
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Crédito da imagem: Divulgação / MME