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terça-feira, fevereiro 24, 2026

Preço do gás natural cai na origem, mas não chega ao consumidor

Preço do gás natural cai na origem, mas não chega ao consumidor

Preço do gás natural cai na origem – Levantamento do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) aponta que, apesar da retração no custo do insumo na produção, o alívio não chega ao bolso de indústrias nem de famílias brasileiras.

O estudo indica que o descompasso ocorre porque concessionárias estaduais elevaram significativamente suas margens de distribuição, compensando a queda registrada na compra junto aos produtores.

Tarifas estaduais encarecem o fornecimento

Segundo o IBP, revisões tarifárias aceleradas em sete estados, incluindo Pernambuco, Bahia e Ceará, acrescentaram cerca de R$ 600 milhões por ano às contas de usuários de gás encanado.

O problema se concentra no chamado “último quilômetro” da cadeia: a etapa final, sob responsabilidade das distribuidoras regionais, não reguladas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Essa cobrança extra neutraliza ganhos trazidos pela Lei do Gás, de 2021, que estimulou a concorrência e reduziu o preço de aquisição do insumo.

Impacto na competitividade e caminhos de solução

Na prática, a parcela que o gás natural representa em relação ao barril de petróleo caiu de 17% para menos de 13%. Mesmo assim, consumidores veem pouco ou nenhum benefício, cenário que afeta a competitividade da indústria, sobretudo nos polos petroquímicos do Nordeste.

A adoção de revisões anuais, muitas vezes concluídas em menos de 15 dias, contraria o prazo mínimo de 45 dias para consultas públicas previsto na Lei 13.848/2019. Especialistas defendem ciclos plurianuais e maior transparência, práticas comuns em mercados estudados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além de reduzir a incerteza regulatória, essa harmonização poderia impulsionar investimentos em infraestrutura, abrir espaço para a transição energética e, finalmente, refletir a queda de custos nas tarifas pagas pelo consumidor final.

Para o IBP, ajustes são urgentes: prazos de debates públicos mais longos, fiscalização rigorosa das margens de distribuição e respeito ao princípio da modicidade tarifária previstos em lei.




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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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