População em situação de rua alcança 365 mil no Brasil
População em situação de rua alcança 365 mil no Brasil – Um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base no CadÚnico, aponta que o número de brasileiras e brasileiros sem moradia passou de 158 mil em 2021 para 365 mil em dezembro de 2025.
O salto representa um aumento de 131% em apenas quatro anos e traz à tona a urgência de políticas públicas de moradia, emprego e educação capazes de frear a tendência.
Crescimento acelerado desde 2021
Segundo a pesquisa, quase dois terços das pessoas cadastradas – cerca de 222 mil – vivem no Sudeste. O Nordeste aparece em seguida, com perto de 55 mil indivíduos nessa condição.
Os autores atribuem parte do avanço à consolidação do CadÚnico como porta de entrada para benefícios sociais. No entanto, fatores como desemprego, migrações internas e a lenta recuperação da renda pós-pandemia também pesam, de acordo com dados do IBGE.
Principais causas apontadas por especialistas
A falta de políticas habitacionais permanentes, aliada à precarização do trabalho, está entre os motivos mais citados pelos pesquisadores da UFMG.
Questões climáticas – como enchentes que atingiram o Norte e Nordeste – e a chegada de migrantes venezuelanos ao país reforçam a pressão sobre grandes centros urbanos.
Retrato da desigualdade nas capitais
Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife concentram a maior parcela de pessoas em situação de rua. Nos centros urbanos, a presença é percebida em praças, terminais de ônibus e debaixo de viadutos.
Para Robson César Correia de Mendonça, do Movimento da População em Situação de Rua de São Paulo, a solução passa por qualificação profissional e incentivo para que empresas contratem esse público.

Desafios para gestores públicos
Especialistas defendem a integração de políticas entre União, Estados e municípios. A combinação de moradia temporária com programas de geração de renda é considerada estratégica.
Iniciativas de alimentação, embora essenciais, não resolvem o problema estrutural: o acesso ao trabalho formal e à educação continuada.
Enquanto soluções de longo prazo não avançam, milhares seguem expostos a violência, doenças e intempéries nas ruas brasileiras.
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