PF convoca ex-executivos do Master e BRB a depor
PF convoca ex-executivos do Master e BRB a depor – A Polícia Federal agendou para o fim de janeiro e início de fevereiro uma nova rodada de oitivas no inquérito que apura a venda de carteiras de crédito consignado supostamente inexistentes do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação estimada em R$ 12 bilhões.
Entre os intimados estão o ex-sócio do Master Augusto Lima, o ex-diretor Luiz Antônio Bull, o ex-diretor financeiro do BRB Dario Garcia Junior e o superintendente de operações financeiras do BRB Robério Mangueira. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, ouvido no fim de dezembro, também prestará novo depoimento.
Como funcionou a operação investigada
A PF quer esclarecer o papel de cada executivo na negociação e confirmar se houve dolo na transferência de carteiras consignadas sem lastro. Em diligência anterior, Daniel Vorcaro, controlador do Master, afirmou que o banco teria honrado seus compromissos, enquanto Paulo Henrique admitiu a dificuldade do BRB em recuperar cerca de R$ 2 bilhões já aportados.
De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), fraudes no sistema financeiro geraram prejuízo de mais de R$ 1,2 bilhão apenas em 2022, o que reforça a importância de mecanismos de controle interno e fiscalização externa.
Etapas da investigação e próximos passos
Os investigadores ainda analisam materiais apreendidos na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro, incluindo dados extraídos de celulares dos suspeitos. A expectativa é confrontar essas informações com os novos depoimentos para identificar eventuais divergências.
O inquérito corre no Supremo Tribunal Federal porque, em busca na residência de Vorcaro, foi encontrado documento que cita um deputado federal. A PF também avalia se houve eventual omissão do Banco Central, já que o regulador autorizou a aquisição e posteriormente liquidou extrajudicialmente o Master.

No meio jurídico, o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) divulgou nota defendendo que a liquidação extrajudicial de instituições financeiras é competência exclusiva do Banco Central, alertando para possíveis extrapolações de órgãos de controle.
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