Petrolíferas dizem que investir na Venezuela é inviável
Investir na Venezuela tornou-se, segundo executivos de grandes petrolíferas, um negócio “inviável” no momento, por causa do colapso da infraestrutura, da insegurança jurídica e das sanções internacionais.
A avaliação, revelada em reunião fechada com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, contrasta com o discurso político que tenta reabrir o mercado venezuelano a companhias americanas.
Infraestrutura sucateada e risco regulatório
De acordo com fontes da indústria, a produção de petróleo bruto do país – que já foi a maior da América do Sul – caiu de 3,2 milhões de barris/dia em 2008 para cerca de 700 mil barris atualmente, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e estimativas internacionais.
Além do declínio operacional, empresas apontam falta de confiança no marco regulatório. Mudanças unilaterais em contratos, controles de câmbio e atrasos em pagamentos transformam projetos de longo prazo em apostas de alto risco.
Sanções e ambiente político complicam retorno
Sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia limitam o acesso a equipamentos, serviços e financiamento estrangeiro. Mesmo que parte das restrições seja suspensa, fontes afirmam que a reconstrução de refinarias e oleodutos exigiria investimentos bilionários e pelo menos cinco anos de obras.
Analistas lembram que o índice de percepção de risco-país da Venezuela é um dos mais altos do mundo, superando 45 pontos, bem acima da média latino-americana de 13 pontos, o que encarece o crédito e afasta investidores institucionais.
Contexto regional e alternativas no continente
Com o impasse venezuelano, companhias americanas e europeias concentram novos aportes em mercados vizinhos, como Brasil e Guiana. A margem de lucro no pré-sal brasileiro, por exemplo, chega a 20%, enquanto as previsões para campos venezuelanos ficariam abaixo de 5% sem subsídios.

Para reverter esse quadro, especialistas defendem reformas profundas e um ambiente regulatório estável, mas não veem sinais concretos de mudança a curto prazo.
No cenário atual, executivos reforçam que a retomada só será viável quando houver segurança jurídica, estabilidade política e compromisso de longo prazo com investidores.
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