Opositora de Maduro pede transição e indica sucessor
Opositora de Maduro pede transição e indica sucessor – No último sábado (3 de fevereiro), a ex-deputada venezuelana María Corina Machado afirmou que o país “vive uma encruzilhada histórica” e que “chegou a hora da liberdade”.
Em vídeos nas redes sociais e em comunicado oficial, a vencedora das primárias oposicionistas defendeu a formação imediata de um governo de transição e apresentou o diplomata Edmundo González Urrutia como nome de consenso para enfrentar Nicolás Maduro na eleição de 28 de julho.
Por que González Urrutia foi escolhido
Segundo Machado, a indicação do ex-embaixador na Argentina tem três motivações: construir unidade, garantir elegibilidade perante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e manter viva a estratégia de “voto massivo” mesmo sob pressões do regime. Em janeiro, o Tribunal Supremo de Justiça ratificou a inelegibilidade de Machado, decisão criticada por organismos como a ONU.
O diplomata, filiado à Mesa da Unidade Democrática (MUD), cumpriu prazo legal para registro e tornou-se alternativa viável dentro do acordo de Barbados, que prevê observação internacional e libertação de presos políticos em troca de alívio de sanções.
Cenário eleitoral e impacto regional
A Venezuela somou, em 2023, inflação de 189,8% e queda de 1,2% no PIB, segundo o Observatório Venezuelano de Finanças. Esses números explicam a pressão popular por mudanças após uma década de recessão.
Para o Brasil – destino de mais de 477 mil imigrantes venezuelanos, de acordo com a plataforma R4V –, a estabilidade política em Caracas pode reduzir o fluxo migratório na fronteira de Roraima e abrir caminho para a normalização do comércio bilateral.
Se eleito, González Urrutia promete convocar referendo sobre reformas institucionais, libertar presos políticos e restabelecer relações com organismos como a OEA, dos quais o país se retirou em 2019.

Embora sem elegibilidade, Machado declarou que seguirá percorrendo o interior venezuelano para mobilizar eleitores e fiscalizar o pleito. “O 22 de outubro mostrou a força do voto”, disse, referindo-se às primárias em que obteve 92,3% dos votos.
Com a formalização da candidatura de consenso, a oposição aposta em transferência de votos e na pressão internacional para garantir condições mínimas de competitividade.
No desfecho de seu pronunciamento, María Corina convocou apoiadores a “defender cada mesa” e reiterou: “Vamos escolher quem cuida da Venezuela, não quem cuida do poder”. Para mais análises sobre o cenário político latino-americano, acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação