Mulher fica em estado vegetativo após cirurgia de rotina
Mulher em estado vegetativo após cirurgia de rotina — A servidora pública Camila Miranda Wanderley Nogueira de Menezes, 34 anos, permanece há cinco meses sem consciência depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória durante um procedimento considerado simples no Hospital Esperança, área central do Recife, em 27 de agosto de 2025.
Segundo o marido, o médico Paulo Menezes, a família luta para que ela volte a interagir minimamente com os dois filhos pequenos, enquanto denuncia o caso por suspeita de negligência.
Cirurgia simples terminou em parada cardíaca
Camila entrou no centro cirúrgico para retirar uma hérnia e uma pedra na vesícula, intervenções que, de acordo com o protocolo, permitiriam alta no mesmo dia. O monitor multiparamétrico, porém, registrou mais de seis minutos de apneia logo após a indução anestésica, relata Paulo.
Mesmo com a queda acentuada da saturação e com alarmes sonoros, a equipe teria prosseguido. A frequência cardíaca caiu a 40 bpm e evoluiu para parada. A reanimação levou cerca de 15 minutos. No prontuário, a cirurgiã anotou “cirurgia sem intercorrências”.
Dados do Conselho Federal de Medicina apontam que os conselhos regionais receberam mais de 26 mil denúncias relacionadas a erro médico em 2022, reforçando a importância da vigilância sobre protocolos de segurança cirúrgica.
Família questiona equipe e aciona Cremepe
O advogado Paulo Maia ingressou com representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) solicitando o afastamento das duas cirurgiãs e da anestesista que atuaram no procedimento. A entidade confirmou que o processo tramita em sigilo.
Paralelamente, os parentes devem mover ação criminal por suposto crime contra a vida. O Hospital Esperança declarou que os profissionais foram escolhidos pela paciente e que “prestou todo o suporte necessário” após a intercorrência.

Reabilitação intensiva e expectativa de contato com os filhos
Após um mês na UTI, Camila foi transferida para uma unidade semi-intensiva. Ela permanece dependente de ventilação mecânica e realiza sessões diárias de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.
O objetivo da família é permitir que a paciente recupere algum nível de consciência para acompanhar o crescimento das crianças. “Se ela voltar 60% ou 70%, já estaremos satisfeitos”, afirma o marido.
Antes de marcar uma cirurgia eletiva, especialistas recomendam verificar credenciais da equipe, conhecer o plano anestésico e exigir que protocolos de checagem — como o “time-out” da Organização Mundial da Saúde — sejam rigorosamente seguidos.
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