Monitoramento ilegal de secretário do Recife será apurado
Monitoramento ilegal de secretário do Recife será apurado – Em 26 de janeiro, o prefeito João Campos (PSB) anunciou que acionará a Justiça para responsabilizar os envolvidos na suspeita de espionagem contra o chefe de Articulação Política e Social da prefeitura, Gustavo Queiroz Monteiro.
Segundo o gestor, a suposta vigilância sem autorização representa “arroubo autoritário” que não pode ficar impune no cenário democrático.
Como o monitoramento ocorreu
A denúncia aponta que policiais civis acompanharam, entre agosto e outubro de 2025, o veículo funcional utilizado por Monteiro e instalaram um rastreador sem autorização judicial. O irmão dele, Eduardo Monteiro, também teria sido alvo de observação.
Mensagens em um grupo de WhatsApp chamado “Nova Missão” revelam troca de fotos do carro e detalhes sobre a rotina do secretário. A Secretaria de Defesa Social confirmou a existência do grupo e classificou a ação como verificação preliminar — prática prevista em protocolos internos da SDS-PE.
Posições da SDS e questionamentos legais
Em coletiva, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, afirmou que a apuração começou após denúncia anônima envolvendo possível recebimento de propina. Ele garantiu que não houve instauração de inquérito, pois nada ilícito foi identificado.
Especialistas, contudo, lembram que o Supremo Tribunal Federal exige autorização judicial para qualquer medida invasiva de privacidade. O advogado criminalista Yuri Herculano avalia que rastrear um carro oficial sem ordem judicial pode configurar abuso de autoridade.
Contexto e impacto institucional
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou, em 2023, mais de 3 mil denúncias de violação de prerrogativas legais por agentes de segurança, reforçando a necessidade de protocolos transparentes.
O prefeito questionou quem ordenou a criação do grupo e classificou a iniciativa como “ilegal e imoral”. “Não vale tudo dentro de uma instituição tão séria como a Polícia Civil, com 200 anos”, declarou Campos.

Para o gestor, a imprensa livre teve papel crucial ao revelar o caso, evitando eventuais provas forjadas ou perseguições políticas.
O veículo da prefeitura onde o equipamento foi instalado permanece preservado para perícia técnica, e a Procuradoria do Município analisa ações cíveis e criminais contra os responsáveis.
No encerramento, João Campos reiterou que “isso não vai passar impune” e que buscará responsabilização exemplar para garantir a confiança da população nas instituições.
O processo agora aguarda manifestações do Ministério Público e eventual abertura de inquérito formal.
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Crédito da imagem: Divulgação