Menino tem pescoço cortado por linha de cerol em Camaragibe
Menino tem pescoço cortado por linha de cerol em Camaragibe — Um passeio de bicicleta terminou em tensão quando Théo Dantas, 10 anos, foi atingido no pescoço por uma linha coberta de cerol, a cerca de 300 metros de casa, no bairro de Aldeia, município de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife.
O corte ficou a poucos milímetros da veia jugular. Levado ao Hospital Esperança, no Recife, o garoto recebeu 11 pontos e já está em recuperação domiciliar.
Como aconteceu o acidente
Os pais filmavam a recente façanha de Théo sobre duas rodas, quando o menino perdeu o equilíbrio e começou a gritar, segurando o pescoço ensanguentado. O pai correu, retirou a camisa para estancar o sangramento e levou o filho no colo até o carro da família.
Segundo Mirella, mãe do garoto, foram “segundos eternos” até chegar ao hospital. O dono da linha não foi identificado.
Risco invisível e legislação
Produzido com cola e vidro moído, o cerol transforma a brincadeira de empinar pipa em ameaça grave. O uso do material é proibido em Pernambuco desde 1998 e pode gerar multa e apreensão do objeto, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE).
Dados da Secretaria de Defesa Social apontam que, somente em 2024, pelo menos oito ocorrências envolvendo cerol foram registradas no estado, duas delas fatais. Motociclistas e ciclistas estão entre as principais vítimas, pois a linha fica quase invisível em vias públicas.
Recuperação e alerta dos pais
Depois do susto, os médicos chamaram a sobrevivência de Théo de “milagre”. O pai, Tiago Lucas, afirma que a família agora faz campanha informal no bairro, pedindo que moradores denunciem o uso de cerol. “É uma morte evitável”, reforça Mirella.

Para evitar tragédias similares, especialistas recomendam o uso de antenas de proteção em motos e bicicletas, além de denunciar a comercialização ilegal de cerol e linhas chilenas (ainda mais cortantes).
O caso reacende o debate sobre fiscalização em áreas residenciais, principalmente durante férias escolares, quando o número de pipas no ar costuma aumentar.
No fim de semana, o menino voltou a pedalar, desta vez usando protetor de pescoço e acompanhado bem de perto pela família.
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Crédito da imagem: Reprodução / TV Globo