Médico vítima de homofobia no Recife relata espancamento
Médico vítima de homofobia no Recife relata espancamento — Na madrugada de 31 de dezembro, o dermatologista Anderson Juliano de Lima teve o apartamento invadido e foi espancado por um vizinho no bairro do Rosarinho, Zona Norte da capital pernambucana.
O agressor, identificado como Túlio André Coelho Silva, 30 anos, foi detido em flagrante, mas responderá em liberdade após audiência de custódia.
Invasão no condomínio e agressões
Segundo boletim de ocorrência, o suspeito tocou insistentemente a campainha às 4h, arrombou a porta e desferiu diversos socos enquanto proferia ofensas homofóbicas.
Anderson gravou parte do ataque e divulgou nos stories do Instagram para pedir ajuda. Sem apoio imediato da portaria, ele acionou o Samu e foi atendido no Hospital da Unimed, com escoriações no rosto e no tórax.
Medidas judiciais impostas ao suspeito
A Polícia Civil autuou Túlio por racismo por homotransfobia, lesão corporal e violação de domicílio. Entre as cautelares, ele deve permanecer recolhido em casa das 21h às 6h, não pode frequentar áreas comuns do prédio nem contatar a vítima.
A defesa alega que se trata de “fato isolado” e nega motivação homofóbica.
Violência contra pessoas LGBTQIA+ em Pernambuco
Embora o caso ainda seja investigado, episódios semelhantes reforçam estatísticas preocupantes. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 273 vítimas de violência motivada por orientação sexual ou identidade de gênero no país em 2022, das quais 18 em Pernambuco, alta de 20% em relação ao ano anterior.
O Atlas da Violência 2023 indica que jovens LGBTQIA+ representam a maior parcela dessas ocorrências, sinalizando a importância de políticas de prevenção e canais de denúncia, como o Disque 100 e a Central 190.

Como denunciar crimes de homofobia
Casos de agressão devem ser registrados em delegacias, preferencialmente nas especializadas em crimes de intolerância. A vítima ou testemunhas também podem acionar o Ministério dos Direitos Humanos pelo Disque 100 ou encaminhar evidências ao Ministério Público. A cartilha “Combate à Violência LGBTQIA+”, disponível no site do Atlas da Violência, detalha passo a passo de como proceder.
No Recife, a Secretaria de Defesa Social mantém o Centro Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia, que oferece orientação jurídica e apoio psicológico gratuito.
Para acompanhar a investigação, o médico informou que busca imagens internas do condomínio e estuda pedir indenização civil pelo episódio.
No final de seu depoimento, Anderson destacou que decidiu tornar o caso público “para que outras pessoas não passem pelo mesmo”.
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