Liquidação do Banco Master expõe falhas de supervisão
Liquidação do Banco Master expõe falhas de supervisão – Desde 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras quatro empresas do conglomerado, o caso ganhou proporções muito maiores que seu porte de 0,57% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional.
Mesmo irrelevante em tamanho, a crise desencadeou debates no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal de Contas da União, além de acionar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que precisou cobrir quase 40% dos depósitos protegidos.
“Banco de mala” e prejuízo bilionário
Controlado por Daniel Vorcaro, o Master operava a partir de estruturas enxutas a ponto de caberem, segundo investigações, na própria pasta de couro carregada pelo banqueiro.
Apesar disso, a rede de contatos articulada por Vorcaro movimentou R$ 12 bilhões em operações questionadas, deixando investidores expostos e provocando um rombo que ainda está sendo mensurado.
Influência que alcançou os Três Poderes
Parlamentares chegaram a propor projetos para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia do FGC, enquanto ministros do STF e do TCU deram espaço para os argumentos do empresário.
A pressão foi tamanha que associações bancárias vieram a público defender a autonomia do Banco Central, cenário incomum diante de um banco de porte mínimo.
Risco sistêmico ou alerta de governança?
Especialistas apontam que o episódio revela fragilidades na supervisão, sobretudo sobre instituições de menor porte, cujas falhas de governança podem contaminar a confiança no sistema.
Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), mais de 160 instituições financeiras coexistem no país, tornando indispensável o acompanhamento contínuo de indicadores de liquidez e capital regulatório.

Para o investidor, a lição é diversificar aplicações, respeitar o limite de cobertura do FGC e verificar rating e histórico de controladores antes de aplicar recursos.
Enquanto a Polícia Federal aprofunda a apuração sobre possíveis fraudes, o liquidante do Master hierarquiza credores – entre eles bancos parceiros, como o BRB, que tenta reaver valores bloqueados.
No Congresso, o caso reacende a discussão sobre endurecer requisitos para aquisição de instituições financeiras e sobre transparência em campanhas de influenciadores que promovem produtos de alto risco.
O desfecho ainda é incerto, mas a história do “banco que cabia na mala” já se tornou exemplo didático de como falhas de governança podem ganhar escala nacional.
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