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domingo, fevereiro 22, 2026

Julgamento dos atos golpistas de 8/1 consolida democracia

Julgamento dos atos golpistas de 8/1 consolida democracia

Julgamento dos atos golpistas de 8/1 consolida democracia – Considerado inédito por juristas e historiadores, o veredicto que puniu civis e militares envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 quebrou um longo ciclo de anistias a rupturas institucionais no Brasil.

Especialistas afirmam que a responsabilização, conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, reforça a proteção ao Estado Democrático de Direito e envia mensagem de que nenhum agente público ou privado está acima da Constituição.

Quebra de tradição de impunidade

O historiador Mateus Gamba Torres, da UnB, lembra que o país soma 14 golpes ou tentativas desde 1889, todos marcados por perdões ou absolvições sumárias.

Desta vez, porém, organizadores, financiadores e executores enfrentam o devido processo legal, evidenciando avanço institucional apontado em relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Igualdade perante a lei

Para o criminalista Fernando Hideo, a decisão reafirma que crimes contra a democracia não se confundem com divergências políticas.

“Patentes, mandatos ou poder econômico não funcionam como escudo”, afirma o professor, destacando que a submissão das Forças Armadas ao poder civil é princípio estruturante do regime democrático.

Desafio no Superior Tribunal Militar

O constitucionalista Lenio Streck aponta como próximo passo a análise do Superior Tribunal Militar (STM), que decidirá sobre a perda de patentes dos militares condenados.

Ele alerta para o risco de o julgamento ficar para 2027, o que poderia gerar sensação de “passa-pano” a oficiais de alta patente e minar a confiança popular.

Alerta ao Parlamento

Gamba Torres observa que eventuais propostas de anistia ou redução de penas no Congresso enfraqueceriam o recado dado pelo Judiciário.

“Toda concessão legislativa reabre espaço para novas aventuras golpistas”, resume o historiador.

Ao mesmo tempo, juristas lembram que democracias só se fortalecem quando reagem com firmeza a ataques e preservam a memória institucional.

A condenação, portanto, funciona como antídoto contra o esquecimento histórico e estimula vigilância cidadã permanente.

Para acompanhar outros desdobramentos da cena política nacional, acesse nossa editoria de Política.


Crédito da imagem: Gabriel/Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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