Intervenção dos EUA na Venezuela levanta temores globais
Intervenção dos EUA na Venezuela — No início de janeiro de 2026, a ofensiva aérea que derrubou o regime de Nicolás Maduro expôs, mais uma vez, o choque entre interesses estratégicos dos Estados Unidos e os princípios do direito internacional.
Durante quase uma hora de declaração pública, o presidente norte-americano Donald Trump citou o petróleo venezuelano diversas vezes, mas evitou falar em restabelecimento democrático, sinalizando prioridades econômicas sobre garantias institucionais.
Petróleo no centro do tabuleiro
Com reservas estimadas em 17,5% do petróleo mundial, segundo a Opep, a Venezuela permanece peça-chave para quem busca segurança energética. Ao justificar a operação, Trump destacou “estabilidade de mercado” e “proteção do hemisfério ocidental”, argumentos que remetem a doutrinas intervencionistas do século passado.
Especialistas em governança global lembram que a Carta das Nações Unidas veda ações militares unilaterais, salvo legítima defesa ou autorização do Conselho de Segurança. A ausência de aval internacional reacende temores de que a superpotência volte a agir como “polícia do mundo”.
Efeitos para as democracias do continente
No próprio território norte-americano, o episódio aprofunda o embate entre Casa Branca e Congresso. Analistas avaliam que a aceitação popular à operação pode determinar o grau de controle externo sobre futuras decisões militares.
Na América Latina, governos moderados alertam para o precedente: se Washington definir quem governa em Caracas, poderia fazê-lo em outras capitais. A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou reunião extraordinária para discutir garantias eleitorais em eventual transição venezuelana.

Qual o futuro político da Venezuela?
A oposição, que venceu a contestada eleição de 2024, teme ser preterida num arranjo liderado pelos militares. Sem eleição livre, analistas veem risco de substituir uma autocracia por outra, mantendo o país afastado de instituições que asseguram direitos civis e transparência fiscal.
Para evitar um vácuo prolongado de poder, missões humanitárias da ONU e bloco regional propõem cronograma de votação em até 180 dias, além de auditoria internacional. O desafio será conciliar agenda democrática com interesses de quem controla, de fato, as armas e a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).
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