Impeachment de João Campos: Câmara decide se abre processo
Impeachment de João Campos – A Câmara Municipal do Recife analisa, na sessão ordinária de 3 de fevereiro de 2026, se admite o pedido que pode afastar o prefeito João Campos (PSB) por suposto crime de responsabilidade ligado à alteração do resultado de um concurso para procurador.
Enquanto os 37 vereadores se preparam para a votação nominal, manifestantes pró e contra o governo ocupam as galerias da Casa de José Mariano, no Centro do Recife.
Concurso de procurador originou a denúncia
O requerimento de impeachment foi protocolado em dezembro de 2025 pelo vereador Eduardo Moura (independente). Ele alega que o prefeito interferiu na lista final do concurso ao permitir a nomeação de Lucas Vieira Silva — filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz do TJPE — no lugar do candidato PCD originalmente aprovado.
Três procuradoras efetivas recomendaram o indeferimento da reinscrição solicitada por Lucas, mas o procurador-geral do município, Pedro Pontes, nomeado por Campos, acolheu o pedido. Após críticas públicas da Associação Nacional dos Procuradores Municipais, o prefeito voltou atrás e nomeou o primeiro colocado. Mesmo assim, o ato motivou o pedido de afastamento.
Como funciona o rito na Câmara
Para que a denúncia prossiga, basta maioria simples: 19 votos. Se admitida, uma comissão de três vereadores sorteados terá dez dias para emitir parecer sobre a continuidade do processo. O prefeito pode ser afastado por até 180 dias enquanto o plenário julga o mérito.
Se o pedido for rejeitado, fica arquivado. Caso avance, João Campos terá prazo para defesa e, ao final, precisará de dois terços dos votos (25 vereadores) para ser definitivamente afastado, segundo a Lei Orgânica do Recife.
Impacto político e próximos passos
Analistas destacam que o desfecho pode influenciar o calendário eleitoral de 2026. Além disso, levantamento do Tribunal Superior Eleitoral mostra que sete dos 37 vereadores são da base de oposição, o que torna o posicionamento dos partidos de centro decisivo.

O Recife não registra processo de impeachment contra prefeito desde a cassação de Valdemar de Oliveira, em 1955. Se o procedimento avançar agora, a capital pernambucana volta ao centro de um debate nacional sobre transparência em concursos públicos e responsabilidade administrativa.
O presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), afirmou que seguirá “rigorosamente” o regimento interno e que a votação será transmitida ao vivo pelas redes da Casa.
No encerramento da sessão, caberá à Mesa Diretora anunciar oficialmente o resultado e, se for o caso, sortear os integrantes da comissão processante.
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