Homem da Meia-Noite inspira tatuagens de foliões em Olinda
Homem da Meia-Noite inspira tatuagens de foliões em Olinda – Um encontro batizado de “Paixão à Flor da Pele” reuniu 70 apaixonados que eternizaram na pele o famoso calunga do carnaval olindense, consolidando a força cultural do bloco mesmo fora da folia.
Realizada no Shopping Patteo, em Casa Caiada, a segunda edição do evento multiplicou por quase nove o número de participantes em relação ao primeiro encontro, ocorrido há oito anos, quando apenas oito pessoas apareceram.
Crescimento do evento e combate ao preconceito
Para Adolpho Alves, presidente do bloco, o salto de inscritos comprova que o Homem da Meia-Noite se tornou um símbolo de memória afetiva e resistência. Ele frisou que a reunião também ajuda a desconstruir estereótipos sobre pessoas tatuadas, tema que ganha relevância em pesquisas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre manifestações patrimoniais.
Além de celebrar o passado, o encontro já projeta o futuro: em 2026, o cortejo desfilará com o tema “Tambores Silenciosos”, exaltando a ancestralidade afro-brasileira e a força dos maracatus à meia-noite entre 14 e 15 de fevereiro.
Histórias marcadas na pele
A olindense Flaviane de Lima Costa tatuou o calunga há três anos, após encerrar um relacionamento de 13 anos. A imagem simboliza um “namoro simbólico” iniciado quando, segundo conta, o boneco teria piscado para ela na saída da sede.
João Ronaldo de Souza Junior, também morador de Olinda, carrega no braço um painel que mistura o calunga, o Galo da Madrugada e o caboclo de lança. A arte é um elo entre gerações: “Meu pai me levava para ver o Homem da Meia-Noite e hoje levo minha filha”, afirma.
Lígia Constantino guarda a tatuagem mais antiga do grupo. Feita há 16 anos pela própria filha, a lembrança resiste mesmo após um processo de cicatrização complicado: “É minha favorita porque foi presente dela”, resume.

Tradição que vai além do carnaval
Desde 1932, o Homem da Meia-Noite abre oficialmente o Sábado de Zé Pereira, atraindo milhares de pessoas ao Largo do Bonsucesso. Dados da prefeitura estimam que o bloco movimente mais de R$ 20 milhões em economia local somente na noite do desfile, aquecendo setores de turismo, alimentação e serviços.
Com a popularização das tatuagens, o calunga transcende o cortejo e passa a ocupar um lugar permanente no corpo e na memória dos foliões, reforçando a identidade cultural de Olinda durante todo o ano.
No encerramento do encontro, Adolpho Alves destacou que cada desenho conta “histórias de ancestralidade e afeto” e prometeu manter a iniciativa anualmente para ampliar a rede de fãs do boneco gigante.
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Crédito da imagem: Divulgação