Fiscalização nos transportes públicos é cobrada no Grande Recife
Fiscalização nos transportes públicos – Passageiros da Região Metropolitana do Recife relatam, há meses, ônibus superlotados, falta de segurança e tarifa considerada elevada. As queixas ganharam força após a revogação da liminar que suspendia o reajuste de 6,7% no valor das passagens, decisão assinada recentemente pelo desembargador Ricardo Paes Barreto, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Com a medida, a passagem no anel A subiu de R$ 4,10 para R$ 4,40, afetando diretamente trabalhadores que dependem do transporte coletivo para se deslocar diariamente.
Reclamações vão além do preço da passagem
Usuários denunciam que, mesmo pagando mais caro, convivem com coletivos deteriorados, sem ar-condicionado e com atrasos frequentes. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram passageiros embarcando pela porta traseira, ambulantes ocupando corredores e, em alguns casos, furtos dentro dos veículos.
Em 2023, o Detran-PE registrou mais de 2,1 mil autuações a ônibus por irregularidades mecânicas e documentais, mas passageiros afirmam que a inspeção nas ruas continua insuficiente.
Contexto: frota antiga e fiscalização limitada
Segundo o Grande Recife Consórcio de Transporte, a frota que atende a RMR ultrapassa 2,8 mil veículos, com idade média de 8 anos—acima da recomendação de 5 anos feita por especialistas em mobilidade. A entidade informa que 160 fiscais atuam em terminais integrados e corredores exclusivos, número considerado baixo para 389 linhas em operação.
Para o pesquisador Marcos Lira, do Departamento de Engenharia da UFPE, “a falta de fiscalização incentiva a evasão de receita e compromete a segurança, gerando um círculo vicioso de má qualidade e necessidade de reajustes”.

O que diz o governo estadual
A Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura informou, em nota, que estuda ampliar a presença de fiscais pelo menos em 30% até o final do ano, além de investir em câmeras embarcadas e renovação gradual da frota. Sobre o reajuste, o órgão argumenta que o aumento repõe parte das perdas inflacionárias acumuladas desde 2020.
Especialistas alertam que medidas pontuais não bastam. Entre as saídas defendidas estão a criação de corredores exclusivos, bilhetagem eletrônica integrada ao metrô e revisão dos contratos com as concessionárias, visando metas de qualidade mensuráveis.
Enquanto mudanças estruturais não acontecem, os usuários seguem pagando mais caro por um serviço que consideram aquém do necessário. Para mais reportagens sobre mobilidade urbana e serviços públicos em Pernambuco, acompanhe nossa editoria local.
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