Fictor Holding pede recuperação judicial após crise Master
Fictor Holding pede recuperação judicial após crise Master – O conglomerado financeiro viu seu patrimônio evaporar depois de ser associado à compra do problemático Banco Master, situação que desencadeou uma corrida de saques de R$ 4 bilhões e obrigou a empresa a recorrer à Justiça para manter as portas abertas.
No pedido protocolado em 31 de janeiro, a Fictor revelou ter perdido 71% dos recursos dos clientes em apenas 75 dias, acumulando dívidas que somam R$ 4,2 bilhões.
Da promessa de expansão ao colapso financeiro
Até outubro de 2025, a Fictor Holding era apresentada como um grupo sólido, presente do agronegócio ao patrocínio esportivo, sem indícios de falta de caixa.
A virada começou quando o controlador do Master, Daniel Vorcaro, anunciou a venda do banco a um suposto fundo árabe, citando a Fictor como parceira. Horas depois, Vorcaro foi preso em São Paulo, e o mercado passou a questionar a saúde das chamadas Sociedades em Conta de Participação (SCP) mantidas pela holding.
Efeito dominó e investigações
Em menos de uma semana, entre 15 e 21 de janeiro de 2026, foram registradas 5.783 solicitações de resgate. A desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do TJ-SP, bloqueou preventivamente R$ 150 milhões da empresa para garantir contratos de cartões corporativos.
O cerco apertou com a abertura de inquérito na Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro. Já o Banco Regional de Brasília (BRB) teme novo contágio e avalia reforço de capital estimado em até R$ 5 bilhões, refletindo a desconfiança generalizada.
Risco para investidores e para o sistema
O episódio renova o debate sobre proteção ao poupador. Hoje, o Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, limite que parlamentares tentam elevar. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos, o FGC já desembolsou mais de R$ 50 bilhões em ressarcimentos desde o início da crise Master.

Analistas lembram que investidores de SCP são os últimos na fila de pagamento em processos de recuperação, fator que aumenta a pressão sobre credores institucionais e pode travar novas emissões de dívida de curto prazo no mercado brasileiro.
Enquanto isso, a Fictor tenta renegociar passivos e preservar operações rentáveis, mas enfrenta cancelamentos de contratos — inclusive no futebol — e a dificuldade de reconquistar a confiança de clientes de alto poder aquisitivo.
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