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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Febre do Oropouche: estudo mostra diferenças da dengue

Febre do Oropouche: estudo mostra diferenças da dengue

Febre do Oropouche: estudo mostra diferenças da dengue – Um trabalho conduzido por pesquisadores brasileiros durante o surto de 2024 em Manaus detalhou semelhanças e, sobretudo, diferenças entre as duas arboviroses, oferecendo subsídios para um diagnóstico mais preciso, mesmo em regiões onde ambos os vírus circulam ao mesmo tempo.

Publicada na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, a pesquisa acompanhou pacientes por até 28 dias e identificou sinais clínicos que podem orientar profissionais de saúde na triagem inicial.

Sintomas centrais e o que muda de um vírus para o outro

De acordo com a médica infectologista Maria Paula Mourão, dores de cabeça mais intensas, artralgias frequentes e manchas cutâneas espalhadas são marcadores que indicam possível infecção por Oropouche. Já queda acentuada de plaquetas, sangramentos e risco maior de choque aparecem com mais frequência na dengue.

O estudo também apontou leve aumento de enzimas hepáticas nos pacientes de Oropouche, enquanto a dengue costuma exibir alterações hematológicas mais pronunciadas. Mesmo assim, os autores reforçam que só o exame laboratorial confirma o agente etiológico.

Importância do diagnóstico rápido e grupos de risco

Gestantes, crianças, idosos e pessoas com comorbidades devem buscar avaliação médica ao primeiro sinal de febre, recomenda Mourão. Dor abdominal persistente, vômitos, tontura ou sangramento são sinais de gravidade que exigem atendimento imediato.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue foram notificados no Brasil em 2025; o avanço do Oropouche adiciona pressão aos serviços de vigilância. Especialistas defendem a ampliação de testes específicos e a notificação compulsória para mapear o novo vírus. Mais detalhes constam na análise divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz.

Prevenção continua sendo a principal arma

Como ambos os vetores se multiplicam em ambientes quentes e úmidos, eliminar água parada, manter caixas-d’água vedadas e usar repelente seguem como medidas indispensáveis. No caso do mosquito Culicoides paraensis (maruim), que prolifera em áreas de matéria orgânica em decomposição, é crucial cuidar de quintais e terrenos Baldios.

Iniciativas como o método Wolbachia e a vacinação contra dengue, já em fase de adoção em algumas cidades, complementam o controle vetorial. Para o Oropouche, o desafio é maior, pois o inseto se reproduz em ambientes naturais; por isso, o monitoramento de casos e da evolução genética do vírus é parte fundamental da estratégia sanitária.

No cenário de arboviroses em expansão, especialistas reforçam que reconhecer rapidamente os sinais de alerta pode salvar vidas. Para acompanhar outras atualizações sobre saúde pública em Pernambuco e no país, siga a editoria de Pernambuco.


Crédito da imagem: Divulgação / Conselho Federal de Farmácia

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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