EUA enviam delegação do Congresso à Dinamarca por disputa na Groenlândia
EUA enviam delegação do Congresso à Dinamarca por disputa na Groenlândia — Uma comitiva bipartidária de pelo menos nove parlamentares desembarcará em Copenhague nos dias 16 e 17 de janeiro de 2026 para reforçar a parceria entre Washington e o governo dinamarquês, enquanto o presidente Donald Trump mantém a pressão para adquirir a ilha ártica.
O grupo é liderado pelo senador democrata Chris Coons, de Delaware, e conta com o republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, entre outros membros do Senado e da Câmara.
Diálogo com autoridades dinamarquesas e groenlandesas
Durante a estadia, a delegação deve reunir-se com representantes de alto escalão da Dinamarca e da Groenlândia, além de executivos do setor privado ligados à mineração e à defesa. A ilha, com 2,16 milhões de km² e apenas 56 mil habitantes, abriga importantes reservas de minerais estratégicos e a base aérea de Thule, peça-chave da defesa norte-americana no Ártico.
As tensões cresceram depois que a Casa Branca admitiu considerar desde incentivos econômicos até opções militares para assumir o controle da ilha. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que qualquer anexação significaria “o fim da OTAN”. Já o governo autônomo da Groenlândia reiterou que a ilha permanece parte integrante do Reino da Dinamarca e, portanto, da Aliança Atlântica, conforme lembra a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Pressão histórica e impactos geopolíticos
O interesse dos Estados Unidos não é novo: em 1946, Harry Truman chegou a oferecer US$ 100 milhões pela Groenlândia. Hoje, as mudanças climáticas ampliam a importância estratégica da região, pois rotas marítimas antes congeladas tornam-se navegáveis e facilitam o acesso a recursos naturais.
Especialistas em segurança apontam que a disputa também reflete a rivalidade com Rússia e China no Ártico, onde ambos os países expandem suas presenças científicas e militares. Segundo dados do Serviço de Pesquisa do Congresso, o comércio global pela Passagem do Norte poderá crescer até 25 % nas próximas duas décadas, aumentando a relevância de quem controlar portos e corredores logísticos na região.

Enquanto os parlamentares americanos visitam Copenhague, diplomatas dinamarqueses e groenlandeses devem viajar a Washington para continuar as negociações, sinalizando que a crise ainda está longe de um desfecho.
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