Estratégia de Gilberto Kassab reposiciona PSD no centro
Estratégia de Gilberto Kassab reposiciona PSD no centro – Nos bastidores de Brasília, o presidente nacional do PSD costura um movimento que mira 2026 e consolida o partido como peça-chave para qualquer futuro governo.
Ao atrair governadores competitivos e aumentar sua presença no Congresso, Kassab transforma o PSD no eixo de sustentação tanto para a esquerda quanto para a direita, reduzindo a dependência de coligações pontuais.
Base territorial robusta impulsiona influência
O partido já administra mais de 1.100 prefeituras, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, e agora exibe um “clube de governadores” formado por Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS).
Esses três nomes não competem diretamente entre si; funcionam como instrumentos de pressão que garantem ao PSD vaga certa nas negociações presidenciais, ampliando seu poder de barganha antes mesmo do início oficial da campanha.
Controle legislativo reforça poder de agenda
Kassab projeta que, mesmo sem vencer o Planalto, o partido poderá eleger uma bancada suficiente para influenciar votações sensíveis e disputar a presidência da Câmara ou do Senado.
A lógica inclui lançar apenas um dos governadores ao Palácio do Planalto e direcionar os demais ao Senado, estratégia que tende a ampliar o número de cadeiras da sigla na Casa Alta e, por consequência, o controle sobre comissões estratégicas e o Orçamento.
Fragmentação do campo conservador favorece o Planalto
Estimular vários polos de centro-direita fragmenta o eleitorado que poderia se concentrar em um único adversário do PT. O resultado é um bolsonarismo mais isolado e uma direita moderada dividida, cenário que reduz riscos para Lula no primeiro turno.

Mesmo em eventual derrota petista, o PSD sairia fortalecido: não estaria comprometido com o projeto de reeleição do atual presidente, mas manteria as portas abertas para compor com o vencedor, garantindo espaço em ministérios e agências reguladoras.
Rumo a um parlamentarismo informal
Analistas apontam que o Brasil pratica, na prática, um “parlamentarismo à brasileira”. O PSD, de Kassab, acelera esse modelo ao concentrar poder no Legislativo, tornando menos relevante quem ocupará o Planalto se não obtiver maioria congressual.
Em 2026, a pergunta que ecoa entre observadores políticos não é apenas quem será eleito presidente, mas quem realmente governará após a posse. Hoje, todas as setas apontam para o tabuleiro montado por Kassab.
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Crédito da imagem: Divulgação