Eduardo Bolsonaro desafia ordem da PF e mantém cargo
Eduardo Bolsonaro desafia ordem da PF e mantém cargo – Na última sexta-feira (2 de janeiro), o ex-deputado afirmou que não voltará ao Brasil nem entregará, “de mãos beijadas”, o posto de escrivão da Polícia Federal (PF) ao qual foi reconvocado.
Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que “ficará firme” para preservar o concurso conquistado em 2009, além do porte de arma e da aposentadoria vinculada à corporação.
Por que a PF quer o retorno imediato
A Diretoria de Gestão de Pessoas da PF publicou portaria no Diário Oficial da União determinando o retorno imediato de Eduardo à Delegacia de Angra dos Reis (RJ).
A licença concedida para o exercício do mandato parlamentar perdeu validade depois que a Mesa Diretora da Câmara declarou, em 18 de dezembro, a perda de seu mandato por faltas sucessivas, conforme informações da própria Polícia Federal.
Argumentos do ex-deputado e contexto familiar
Vivendo no Texas desde março de 2025, Eduardo alega que não há “condições” de voltar ao Brasil porque acompanha a recuperação do pai, Jair Bolsonaro, que continua custodiado na superintendência da PF em Brasília após cirurgias.
Ele também afirma ser alvo de perseguição política e critica a cúpula atual da corporação, comparando-a a “bajuladores de tiranos”.
Regras para servidores afastados
De acordo com a Lei 8.112/1990, servidores eleitos para cargos legislativos têm direito a licença sem vencimentos, mas a prerrogativa termina quando não existe mais mandato legítimo.
Especialistas em direito administrativo lembram que a reincorporação ao quadro é automática e, se o servidor permanecer no exterior sem autorização, pode incorrer em abandono de cargo, sujeito a demissão.

Trajetória na Polícia Federal
Eduardo Bolsonaro ingressou na PF em 2010 e atuou em Guajará-Mirim (RO), Guarulhos (SP), São Paulo (SP) e Angra dos Reis (RJ) até 2014, ano em que foi eleito deputado federal.
Segundo dados do Atlas do Servidor Público, pouco mais de 1% dos policiais federais licenciados para mandato eletivo retornam à função original após longas ausências, cenário que torna o caso atípico.
No desfecho do vídeo, ele garante que “lutará até o fim” para impedir que o concurso seja anulado.
O Ministério da Justiça e a PF não comentaram se adotarão medidas disciplinares adicionais caso o retorno não ocorra.
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Crédito da imagem: Divulgação