Disputa pelo Senado em Pernambuco ganha novos rumos
Disputa pelo Senado em Pernambuco volta a mudar de direção após movimentações recentes dos principais pré-candidatos, provocando incertezas dentro e fora do bloco do prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Miguel Coelho (União Brasil) deixou de garantir presença no palanque socialista e admitiu que o partido “estará onde acreditar no seu projeto”. A declaração reabriu especulações sobre uma reaproximação com a governadora Raquel Lyra (PSDB), cuja base já conta com o deputado Eduardo da Fonte (PP) como nome colocado para a mesma disputa.
Indefinição também atinge Sílvio Costa Filho
Ao mesmo tempo, o ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho (Republicanos), confidenciou a aliados que avalia permanecer no governo federal para ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em eventual campanha de reeleição. O próprio ministro admite ainda a hipótese de compor como vice na chapa de João Campos.
O prefeito, contudo, evita antecipar compromissos. A falta de sinalizações claras alimenta dúvidas entre os postulantes e dirigentes partidários sobre quem, de fato, terá vaga na majoritária.
PT discute dois palanques para Lula em 2026
Dentro do PT, o deputado estadual João Paulo voltou a defender que o partido mantenha alianças distintas no estado. Ele recordou que, em 2020, Campos fez críticas à legenda, algo que “não foi assimilado”. O senador Humberto Costa, líder petista no Senado, mantém bom diálogo com Raquel Lyra e poderia migrar para o palanque tucano.
Defensores da tese dos dois palanques argumentam que o foco principal deve ser a disputa nacional. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, Pernambuco possui 6,8 milhões de eleitores aptos, fatia decisiva na contagem final do Nordeste.
Fator ansiedade e cálculo eleitoral
Lideranças ouvidas reservadamente avaliam que o excesso de ansiedade atrapalha Miguel Coelho, que gostaria de ter a chapa fechada antes do carnaval. Deputados próximos a Campos, porém, citam que definições só ocorrerão mais perto das convenções, no segundo semestre.
Para o ex-deputado Fernando Ferro (PT), a prioridade deve ser a reeleição de Lula. Ele critica o que chama de “submissão precipitada” ao PSB e defende candidatura própria no primeiro turno caso o palanque duplo não se concretize.

Cenário continua aberto
Além de Miguel, Sílvio e Humberto, a ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade) mantém intenção de concorrer. Os quatro nomes refletem o peso que as duas vagas disponíveis em 2026 exercem sobre o tabuleiro político local.
Até o momento, não há data para anúncio oficial de apoios. Nos bastidores, partidos monitoram pesquisas internas para calibrar estratégias, enquanto aguardam a definição de Campos e eventual desembarque de aliados no Palácio do Campo das Princesas.
Com tantas peças em movimento, a formação das chapas majoritárias permanece um quebra-cabeça — e qualquer declaração pública de agora em diante pode reposicionar todo o jogo.
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