Desvios de emendas em Ipojuca: MPPE revela reunião secreta
Desvios de emendas em Ipojuca: MPPE revela reunião secreta – Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) detalharam, em parecer enviado recentemente à Justiça, que três vereadores tentaram aliciar um policial da inteligência para acompanhar inquéritos sobre o esquema que desviou milhões dos cofres de Ipojuca, no Grande Recife.
Segundo o Ministério Público de Pernambuco, o encontro ocorreu em novembro de 2025, dentro de um carro no estacionamento de um supermercado na Zona Sul do Recife, configurando “reunião clandestina” voltada a frustrar a aplicação da lei penal.
Como foi a reunião secreta
No veículo estavam o presidente da Câmara, Flávio do Cartório (PSD), o vice, Professor Eduardo (PSD), o vereador Júlio Marinho (PP) e um comissário da Diretoria de Inteligência. A abordagem terminou com a apreensão de R$ 14 mil em espécie, anotações que sugerem “rachadinha” e a autuação em flagrante por lavagem de dinheiro.
A cooptação de um agente estatal para vazar informações, segundo o MPPE, eleva a gravidade dos crimes de peculato, corrupção e lavagem. O parecer reforça que Flávio segue preso preventivamente, enquanto os outros parlamentares respondem em liberdade provisória. A Polícia Civil de Pernambuco disponibiliza estatísticas atualizadas de operações e prisões que contextualizam o esforço repressivo contra desvios de recursos públicos.
Avanço das investigações
Relatórios do Coaf revelaram transações incompatíveis de R$ 3,7 milhões na conta de Flávio entre 2021 e 2024, prática de fracionamento de depósitos e uso de terminais de autoatendimento sem origem identificada.
Desde outubro de 2024, a Delegacia de Porto de Galinhas apura o repasse de mais de R$ 39 milhões em emendas impositivas para entidades que, muitas vezes, não possuíam capacidade técnica. Ao todo, 20 associações estão na mira – inclusive uma controlada pelo próprio presidente da Câmara, beneficiada com R$ 12 milhões.
No primeiro desdobramento da Operação Alvitre, advogados, empresários e funcionários ligados às fraudes já foram presos. O montante desviado seria suficiente para custear, por um ano, a distribuição de medicamentos básicos a toda rede municipal de saúde, conforme parâmetros do Ministério da Saúde.

O MPPE reforça que prosseguirá com novas diligências e quebras de sigilo bancário para rastrear beneficiários finais. A defesa dos investigados não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.
No desfecho do processo, o órgão requer a manutenção da prisão do vereador e o afastamento de servidores públicos envolvidos, medida que pode ser determinada a qualquer momento pelo Judiciário.
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Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Civil de Pernambuco