Coletiva de Abel Ferreira dura 6 minutos por falta de perguntas
Coletiva de Abel Ferreira dura 6 minutos por falta de perguntas – Após a derrota do Palmeiras para o Novorizontino, a entrevista pós-jogo com o técnico Abel Ferreira chegou ao fim em apenas seis minutos, não por impaciência do português, mas porque não havia mais repórteres no estádio para perguntar.
O treinador respondeu a todas as seis questões apresentadas e aguardou novos questionamentos, que não vieram. O episódio reacendeu o debate sobre a presença cada vez menor de profissionais da imprensa nos estádios brasileiros.
Por que os repórteres estão sumindo das arenas
Com a popularização das transmissões remotas, emissoras de rádio e TV optam por manter narradores, comentaristas e, agora, repórteres nos estúdios, reduzindo custos operacionais. Segundo dados da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), o gasto médio com deslocamento de equipes pode representar até 30% do orçamento de uma cobertura fora do eixo principal.
Além da economia, fatores logísticos — como passagens aéreas mais caras e restrições de credenciamento impostas por clubes — também pesam na decisão. A Confederação Brasileira de Futebol discute há dois anos um novo modelo de credenciais, conforme mostra documento oficial divulgado pela CBF, mas ainda não há consenso.
Impacto na qualidade da informação esportiva
Especialistas em jornalismo esportivo apontam que a redução de profissionais no gramado limita questionamentos mais aprofundados e diminui o acesso a bastidores. Para o torcedor, o resultado é um conteúdo padronizado, muitas vezes dependente de imagens e releases fornecidos pelos próprios clubes.
O fenômeno também atinge a audiência: levantamento da Kantar Ibope mostra que programas pós-jogo com participação ao vivo de repórteres têm, em média, 12% mais tempo de permanência do espectador do que aqueles produzidos apenas em estúdio.

Ainda não há indicativo de que as emissoras regressarão ao antigo modelo de cobertura em larga escala. Enquanto isso, episódios como a coletiva relâmpago de Abel Ferreira tendem a se repetir, deixando técnicos, torcedores e o próprio futebol com menos espaço para o contraditório.
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Crédito da imagem: Divulgação