Centro das Mulheres do Cabo fortalece combate ao feminicídio
Centro das Mulheres do Cabo fortalece combate ao feminicídio – Há mais de 40 anos, a entidade criada no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, atua na defesa dos direitos femininos e agora redobra esforços para prevenir assassinatos de mulheres.
Fundado em 1984, o coletivo surgiu de mobilizações por água encanada e, desde então, tornou-se referência em acolhimento, orientação jurídica e incidência política pela vida das mulheres.
Da luta pela água à defesa da vida
No início dos anos 1980, a falta de serviços básicos motivou passeatas que revelaram a força feminina na cidade. A formalização do Centro acelerou reivindicações por saúde, educação e saneamento, áreas ainda sensíveis em um município que figura entre as maiores taxas de violência do Estado.
Com o passar dos anos, a violência doméstica ganhou centralidade. A equipe passou a acompanhar vítimas em delegacias e foi protagonista no primeiro caso de aplicação da Lei Maria da Penha em Pernambuco, feito que ganhou projeção nacional e reforçou a confiança das usuárias.
Feminicídio em foco e dados alarmantes
Mesmo com avanços legais, o número de feminicídios subiu 15,7 % em Pernambuco, passando de 76 em 2024 para 88 em 2025, segundo a Secretaria de Defesa Social. No Brasil, foram 1.437 vítimas em 2022, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Especialistas alertam que a subnotificação ainda mascara parte do problema.
Para enfrentar a escalada, o Centro promove rodas de diálogo, campanhas em mídia comunitária e capacitações sobre uso de medidas protetivas. A entidade orienta o acionamento imediato do Ligue 180, canal gratuito que funciona 24 h.
Projetos que empoderam meninas
Duas iniciativas internacionais ampliam o alcance da organização. O “Meninas em Movimento pela Educação”, apoiado pelo Fundo Malala, forma lideranças estudantis para melhorar a qualidade das escolas públicas.
Já o “Novas Pérolas”, financiado pela Freedom Found, combate o abuso sexual de adolescentes, realidade agravada pela expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape. Oficinas de saúde mental e capacitação para denúncia fazem parte da metodologia.

Informação que salva vidas
Há duas décadas no ar, o programa “Rádio Mulher”, veiculado na comunitária Calhetas FM, discute racismo, políticas públicas e igualdade de gênero, alcançando áreas rurais onde o acesso à internet é limitado. As transmissões também ocorrem nas redes sociais, ampliando o público.
Para celebrar quatro décadas de resistência, o Centro planeja um documentário sobre a trajetória do movimento e prepara ações itinerantes em comunidades do litoral ao sertão, reforçando que enfrentar a cultura machista depende de toda a sociedade.
No encerramento, a coordenadora Izabel Santos resume a missão: “Queremos que nenhuma mulher precise escolher entre o silêncio e a própria vida”.
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Crédito da imagem: Divulgação