Censo de cães e gatos em Noronha mapeia impactos ambientais
Censo de cães e gatos em Noronha mapeia impactos ambientais – O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realiza, até 31 de janeiro, um levantamento porta a porta para saber quantos animais domésticos vivem em Fernando de Noronha.
A contagem, feita em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Administração da Ilha, orientará novas ações de controle populacional e busca reduzir a pressão sobre espécies endêmicas.
Por que monitorar cães e, principalmente, gatos
Segundo a veterinária Taysa Rocha, os gatos representam a maior ameaça à fauna local, pois caçam aves como sebito e cocoruta, além da lagartixa mabuya, exclusiva do arquipélago. A retirada de predadores ou a castração em massa são estratégias recomendadas por órgãos ambientais como o ICMBio.
Desde 2019, 1.689 felinos passaram por esterilização — cerca de 97 % do total presente na área urbana. O índice coopera para frear a reprodução, mas ainda há 439 gatos considerados ferais vivendo no Parque Nacional Marinho, segundo estudo de 2019.
Dados preliminares e próximos passos
O último estudo, divulgado em 2023, apontou 1.268 gatos na ilha, número 25 % menor que o registro de 2016, reflexo direto das castrações. Entre os cães, não há estatísticas consolidadas, porém pesquisadores alertam para o risco de zoonoses e acidentes de trânsito.
Os recenseadores percorrem todos os bairros e trilhas do parque, coletando sexo, idade, estado reprodutivo e localização dos animais. O material servirá de base para renovar campanhas de castração gratuita e reforçar parcerias com a ONG Pet Noronha, que distribui ração para diminuir a caça por fome.

Quando concluído, o censo deverá ser replicado a cada cinco anos para acompanhar tendências populacionais e avaliar a eficácia das intervenções.
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Crédito da imagem: Divulgação / ICMBio