Bolsonaro é transferido para a Papuda sob regras rígidas
Bolsonaro é transferido para a Papuda sob regras rígidas – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou a carceragem da Polícia Federal, em Brasília, e passou a ocupar uma cela de 54 m² no Complexo Penitenciário da Papuda, conforme decisão recente do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sem direito a internet ou TV a cabo, Bolsonaro ficará próximo do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, mas em celas separadas.
Condições de permanência no presídio
O ex-presidente terá fisioterapia, banho de sol diário, cafeteira de cápsulas (com café providenciado pela família), além de uma TV com canais abertos. Visitas individuais de familiares estão autorizadas às quartas e quintas-feiras, enquanto assistência religiosa ocorrerá uma vez por semana.
Segundo a decisão do STF, as restrições visam evitar que a unidade se transforme em “colônia de férias”. Ainda de acordo com a administração penitenciária, todos os detentos da chamada “Papudinha” seguem rotina semelhante, o que inclui revista de objetos e monitoramento constante.
Contexto de segurança pública
O Complexo da Papuda abriga mais de 11 mil presos, número que supera em 55% a capacidade oficial. A superlotação é um dos desafios apontados por relatórios anuais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que ressaltam riscos de violação de direitos humanos e de reincidência.
Apesar desse cenário, a ala destinada a ex-autoridades — apelidada de “Papudinha” — é considerada de segurança média e permite maior controle interno. A jurisprudência do STF prevê que réus com foro ou cargo público relevante possam ser mantidos em espaços separados para prevenir conflitos.
Próximos passos no processo
A defesa de Bolsonaro ainda tenta converter a prisão preventiva em domiciliar, mas Moraes reiterou que o ex-presidente deve cumprir as mesmas normas impostas a outros investigados nos inquéritos que apuram tentativa de golpe de Estado e ataques às instituições.

Relatórios da Polícia Federal, anexados ao processo, informam que novas diligências estão em curso e que eventuais benefícios serão analisados somente após a conclusão dessa fase investigativa.
No momento, a transferência consolida a estratégia de isolar os principais alvos da operação, enquanto o STF planeja reunir depoimentos de ex-assessores e autoridades para avançar na instrução.
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Crédito da imagem: Divulgação