BHP tem apelação rejeitada na Inglaterra por desastre de Mariana
BHP desastre de Mariana – Em 19 de janeiro de 2026, o Tribunal Superior da Inglaterra negou autorização para que a BHP recorresse da sentença que a responsabiliza pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, no município mineiro de Mariana.
A decisão confirma o entendimento firmado em primeira instância, em novembro de 2025, e abre um prazo de 28 dias para que a mineradora tente levar o caso à Corte de Apelação, última instância possível no Reino Unido.
Decisão britânica mantém responsabilidade
No despacho, o juiz ressaltou que não há “motivo relevante” para revisar o mérito, baseado em legislação brasileira e em laudos periciais anexados ao processo. A corte avaliou que o julgamento inglês não conflita com ações em andamento no Brasil, mas reconhece a tragédia como fato incontestável.
Em nota, a BHP informou que recorrerá e destacou programas de indenização conduzidos no país. A companhia afirma que 240 mil autores da ação coletiva no Reino Unido já firmaram acordos no Brasil, número contestado pelos advogados dos atingidos, que citam cerca de 620 vítimas representadas.
Impacto humano e ambiental continua
O colapso da barragem liberou 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos, deixando 19 mortos, centenas de desabrigados e danos ao ecossistema do Rio Doce que ainda estão sendo quantificados. Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), o desastre permanece entre os maiores já registrados na indústria de mineração mundial.
Desde 2024, Samarco, BHP Brasil e Vale integram o Novo Acordo do Rio Doce, estimado em R$ 170 bilhões, que prevê reparação socioambiental, reconstrução de comunidades e monitoramento de longo prazo. Mais de 610 mil pessoas já receberam indenizações ou auxílio emergencial, mas associações de moradores apontam atrasos na recomposição de moradias e na recuperação do rio.
Próximos passos jurídicos
Se a Corte de Apelação britânica recusar novo exame, a sentença passa a valer com força executória. Nesse cenário, especialistas em direito internacional estimam que a BHP poderia enfrentar bloqueio de ativos no Reino Unido para garantir pagamentos, caso não cumpra a decisão voluntariamente.

Enquanto isso, no Brasil, ações civis e penais correm paralelamente. O Ministério Público busca acelerar o calendário de reassentamentos coletivos, previstos para serem concluídos apenas em 2027.
O resultado do processo em Londres é acompanhado de perto por comunidades afetadas em Minas Gerais e no Espírito Santo, que veem na via estrangeira uma alternativa para pressionar a mineradora a ampliar os valores de compensação.
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