Banco Master: Vorcaro recorre ao STF após derrota no Congresso
Banco Master: Vorcaro recorre ao STF após derrota no Congresso – Depois de ver naufragar uma série de projetos que favoreciam o Banco Master na Câmara e no Senado, o empresário mineiro Daniel Vorcaro passou a investir em escritórios de advocacia com acesso direto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mostram documentos internos obtidos por fontes ligadas ao mercado financeiro.
A estratégia, segundo interlocutores, ganhou força já em 2024, quando o Banco Central iniciou o processo de liquidação do Master e do Will Bank, colocando em risco até R$ 51 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Investidas frustradas no Legislativo
Parlamentares do Centrão apresentaram ao menos três propostas para elevar o teto da garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ. Duas delas foram assinadas pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pelo deputado Filipe Barros (PL-PR), ambas arquivadas diante da resistência do Ministério da Fazenda e do próprio Banco Central.
Também ganhou destaque o Projeto de Lei Complementar 39/2021, ressuscitado pelo deputado Cláudio Cajado (PP-BA), que pretendia submeter diretores do BC a maior controle do Congresso. O texto avançou em regime de urgência, mas perdeu força após o regulador vetar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Rota jurídica rumo ao STF
Sem respaldo legislativo, Vorcaro contratou bancas que têm como sócios ou consultores parentes de magistrados do STF e do Superior Tribunal de Justiça. Entre os objetivos estão reverter a liquidação extrajudicial, reduzir multas aplicadas pelo Banco Central e, de quebra, manter viva a ideia de ampliar a cobertura do FGC.
Em despacho recente, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus chegou a insinuar possível “omissão” do BC durante a crise. O movimento gerou reação da autarquia, que argumenta ter seguido todos os protocolos previstos na Lei de Responsabilidade das Estatais e nas normas prudenciais. O FGC alerta que qualquer mudança brusca no teto de cobertura poderia comprometer sua saúde financeira; o saldo disponível em setembro de 2024 era de R$ 161,1 bilhões, conforme dados oficiais do FGC.
Cenário para 2026
Com a retomada dos trabalhos no Congresso, líderes de partidos do Centrão evitam comentar novos projetos ligados ao setor bancário. Nos bastidores, a avaliação é que a liquidação do Master diminuiu o apetite político para mexer na autonomia do Banco Central ou no limite de garantia do FGC.

Advogados próximos a Vorcaro, porém, apostam em decisões monocráticas no STF que possam suspender atos do BC e abrir caminho para negociações futuras. A tendência é de judicialização prolongada, enquanto investidores aguardam definições sobre o ressarcimento de aplicações.
No curto prazo, o risco maior recai sobre o sistema de crédito: um eventual recuo na liquidação pode gerar efeito dominó em outras instituições de médio porte, elevando a pressão sobre o FGC e sobre a confiança de poupadores.
Para acompanhar a evolução desse embate entre Congresso, BC e STF, siga nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação