Banco Máster faz FGC liberar recorde de R$ 50 bilhões
Banco Máster faz FGC liberar recorde de R$ 50 bilhões – O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) corre para indenizar cerca de 1,6 milhão de correntistas do Banco Máster, liquidado extrajudicialmente, num desembolso que pode superar R$ 50 bilhões, segundo projeções divulgadas recentemente.
Até 29 de janeiro, já haviam sido pagos R$ 32,5 bilhões a 580 mil credores, o equivalente a 75 % dos investidores habilitados e 80,05 % do valor estimado.
Impacto sem precedentes nas reservas do FGC
Se confirmada a cifra de R$ 50 bilhões, o saque será o maior desde a criação do fundo, em 1995. Em setembro de 2025, o FGC possuía R$ 161,13 bilhões em ativos; a conta do Máster pode consumir perto de um terço desse patrimônio, retrocedendo o saldo para níveis de 2021.
Para comparar, todas as quebras bancárias anteriores – do Banco Dracma ao BRK – custaram, juntas, R$ 7,09 bilhões ao FGC entre 1996 e 2023. O contraste explicita a dimensão da crise gerada pela agressiva emissão de CDBs, LCIs e LCAs do Máster, que ofereciam até 140 % do CDI, muito acima da média de 80 % praticada pelo mercado.
Por que os bancos estão irritados
Grandes e médios bancos, responsáveis por formar o saldo do FGC desde 1995, temem aumento das contribuições para recompor o caixa. Fedebrações como Febraban, ABBC e Zetta discutem, junto ao Banco Central, redirecionar parte dos depósitos compulsórios para o fundo, conforme nota da Febraban.
O desconforto cresce porque, embora respondesse por apenas 0,57 % do crédito ofertado no país, o grupo de Daniel Vorcaro produzirá o maior pagamento de garantia já registrado. Entre os papéis a serem honrados, 1,4 milhão de contratos têm valores entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, exatamente na faixa que extrapola o limite de R$ 250 mil coberto por CPF.
Risco de elevação do teto de garantia
Em 2024 e 2025, projetos de lei propuseram elevar a cobertura do FGC para R$ 1 milhão, mas não avançaram. Caso tivessem sido aprovados, o passivo do Máster poderia ter colocado o fundo no vermelho. O episódio reaqueceu o debate sobre educação financeira: especialistas recomendam pulverizar aplicações entre bancos e titulares diferentes para não ultrapassar o limite vigente.

Além das indenizações aos clientes, o FGC terá de absorver empréstimos emergenciais concedidos ao Máster e ao Will Bank, outro integrante do conglomerado, elevando ainda mais a fatura.
No curto prazo, o fundo seguirá os pagamentos escalonados aos investidores, enquanto o Banco Central avalia novos parâmetros de contribuições para preservar a confiança no sistema bancário brasileiro.
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