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sábado, fevereiro 28, 2026

Bacalhau: consumo cresce no Brasil e preço pode disparar

Bacalhau: consumo cresce no Brasil e preço pode disparar

Bacalhau: consumo cresce no Brasil e preço pode disparar – Impulsionado por viagens a Portugal, receitas na internet e renda maior, o brasileiro ampliou o consumo do peixe salgado tradicional das festas de Páscoa e Natal.

O interesse se espalha durante todo o ano, mas a oferta mundial encolhe e especialistas já projetam reajustes expressivos nos próximos dois anos.

Demanda supera oferta e pressiona estoques

Dados da indústria portuguesa indicam que a captura global de bacalhau caiu de 894 mil toneladas em 2013 para 340 mil em 2025, com projeção de apenas 260 mil em 2026.

Empresas como a Mar Salgado relatam dificuldades para encontrar o Gadus macrocephalus e o Gadus morhua, espécies usadas no corte nobre. Além da sobrepesca, o aquecimento dos oceanos empurra os cardumes para águas mais frias, elevando os custos de operação.

O Canadá até sinaliza retomar a pesca do Gadus morhua após dez anos de defeso, mas a recuperação dos estoques é lenta. Restrições comerciais entre Estados Unidos e Rússia também complicam a logística.

Já a China entrou pesado na captura no Ártico, aumentando a concorrência por um recurso limitado. O cenário acende alerta de sustentabilidade: o Ministério da Agricultura e Pecuária recomenda monitoramento rigoroso das cotas de pesca, segundo nota técnica recente.

Impacto no bolso do consumidor brasileiro

Em 2025, o preço do bacalhau graúdo superou € 14/kg na origem e pode alcançar € 40/kg em 2026, estimam exportadores noruegueses. O Brasil, quinto maior destino do produto, tende a sentir primeiro essa escalada perto das datas festivas.

Embora o brasileiro consuma dez vezes mais carne do que peixe, a proteína do Atlântico Norte ganhou espaço nas mesas: dados do IBGE mostram que a ingestão de pescado subiu para 9,7 kg per capita ao ano, mas ainda abaixo dos 12 kg recomendados pela OMS.

Com a alta prevista, chefs indicam alternativas mais em conta, como Saithe e Zarbo, que passam pelo mesmo processo de salga, embora não possam ser rotuladas como “bacalhau” no Brasil.

Indústrias portuguesas já oferecem cortes dessalgados ultracongelados, reduzindo desperdício e tempo de preparo. Mesmo assim, o presidente da Associação dos Industriais do Bacalhau alerta: 2026 deve registrar a maior pressão de preços da década, antes de uma possível recuperação em 2027.

No fim das contas, planejar compras antecipadas e comparar rótulos pode evitar sustos na hora de preparar o tradicional prato de família.

Para acompanhar outras tendências da pauta internacional, siga nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Fernando Castilho

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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