Auxílio-doença pressiona contas do INSS e amplia déficit
Auxílio-doença pressiona contas do INSS – Levantamento recente indica que o benefício médico, sozinho, consome mais de 60% de todas as despesas da Previdência Social, comprometendo a sustentabilidade do sistema.
Mesmo após a reforma de 2019, o número de concessões de auxílio-doença ultrapassa 2,8 milhões por ano, enquanto aposentadorias por idade ou tempo de contribuição perdem participação no orçamento.
Auxílio-doença consome 60,4% do orçamento
Dados do INSS mostram que o gasto anual com o benefício chegou a R$ 350 bilhões, cifra que supera de longe o custo agregado das aposentadorias.
A fragilidade do controle pericial é apontada como causa: desde que qualquer médico passou a poder atestar incapacidade, sem exame presencial na agência, a fila supera 2 milhões de pedidos. Esse cenário se une ao envelhecimento populacional, projetado pelo IBGE, e sinaliza pressão crescente nas contas.
Impacto nas demais despesas previdenciárias
Entre 2020 e 2025, as aposentadorias por tempo de contribuição encolheram de 4,28% para 2,27% do total de benefícios, enquanto as por idade mantiveram participação inferior a 10%.
Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) quadruplicou em cinco anos, ultrapassando 350 mil concessões, muito puxado por decisões judiciais que estendem o direito a portadores de transtorno do espectro autista e outras doenças crônicas.

Economia esperada não se concretizou
A economia de R$ 1 trilhão prometida pela equipe econômica na época da reforma não se confirmou: em 2020 o déficit acumulado em 12 meses bateu R$ 275,8 bilhões e, agora, só o auxílio-doença já representa passivo maior.
Especialistas alertam que elevar idade mínima ou tempo de contribuição, como previsto para 2026 (59,5 anos para mulheres e 64,5 para homens), terá impacto limitado se o principal foco de gasto continuar fora da pauta.
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Crédito da imagem: Divulgação / Ministério da Previdência