Ausência de Lula muda jogo político em Pernambuco
Ausência de Lula no roteiro do primeiro turno das eleições municipais de 2024 provoca ajustes imediatos nas estratégias dos principais partidos em Pernambuco.
Sem a tradicional visita presidencial, o PSB perde um dos seus trunfos para impulsionar a pré-campanha do prefeito do Recife, João Campos, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSDB) ganha espaço para equilibrar forças de olho em 2026.
Recuo do Planalto mexe no tabuleiro eleitoral
Interlocutores do Palácio do Planalto indicam que o presidente pretende concentrar viagens em regiões onde a base governista enfrenta maior risco, adiando a ida a Pernambuco para o segundo turno.
Nos bastidores, a decisão reduz a exposição de João Campos ao lado de Lula, recurso que garantiu visibilidade decisiva em 2022, quando o petista conquistou 66% dos votos válidos no estado, segundo dados do TSE.
Cenário de 2026 fica mais competitivo
Aliados da governadora avaliam que a ausência presidencial diminui o capital político do PSB, abrindo caminho para que o Palácio do Campo das Princesas atraia parte do eleitorado lulista por meio de entregas estaduais.
Raquel Lyra tem intensificado agendas no interior, onde Lula foi majoritário. O movimento busca consolidar bases que podem ser decisivas na eleição estadual de 2026, quando a tucana tentará a reeleição e Campos é cotado como adversário.

Analistas lembram que Pernambuco possui 6,7 milhões de eleitores, dos quais 43% residem em municípios com menos de 100 mil habitantes. A interiorização das campanhas, portanto, tende a ser fator-chave para qualquer pré-candidato que queira compensar a força da capital.
Nos próximos meses, dirigentes partidários monitorarão não apenas a data da eventual visita de Lula, mas também indicadores socioeconômicos locais, como geração de empregos formais divulgados pelo Caged, que podem influenciar o humor do eleitorado.
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