Aumento da passagem de ônibus no Grande Recife gera ação
Aumento da passagem de ônibus no Grande Recife gera ação – A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco anunciou que vai acionar a Justiça contra o reajuste de 4,46% nas tarifas metropolitanas, aprovado pelo Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) em 15 de janeiro.
O movimento alega que o governo estadual descumpriu o regimento do conselho ao liberar planilhas e propostas apenas dois dias antes da votação, em vez dos 10 exigidos.
Questionamentos sobre a legalidade do processo
Segundo Pedro Josephi, representante da Frente no CSTM, a pauta oficial só foi divulgada após a convocação, impedindo análise técnica dos conselheiros.
Ele também classificou a reunião como “autoritária”, afirmando que pedidos de vista foram negados mesmo diante de questionamentos do Ministério Público de Pernambuco.
Impacto nas tarifas e próximos passos
Com o aumento, a tarifa básica passou de R$ 4,27 para R$ 4,47, enquanto linhas de maior percurso, como Recife–Porto de Galinhas (opcional), subiram de R$ 21,60 para R$ 22,52. Os novos valores ainda dependem do arredondamento da Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe), que deve homologá-los nos próximos dias.
Para justificar o reajuste, o governo citou a alta de insumos como diesel e pneus. No entanto, estudo do Detran-PE mostra que a frota de ônibus da Região Metropolitana diminuiu 8% desde 2021, enquanto a demanda por viagens voltou a crescer após a pandemia.
Modelo econômico em debate
A Frente de Luta critica o que chama de “capitalismo sem risco”: empresas teriam custos cobertos por subsídios estaduais — R$ 518 milhões em 2025 — ou repasses aos usuários, mesmo com veículos envelhecidos e redução do BRT.

O grupo prevê novos atos de rua e sustenta que a licitação de 80% das linhas está vencida, o que, segundo especialistas, pode fragilizar a transparência do sistema.
O Grande Recife Consórcio de Transporte informou, em nota, que seguiu todos os trâmites legais e que aguarda a homologação da Arpe para publicar o novo quadro tarifário.
No fim do processo judicial, a tarifa só poderá voltar ao valor anterior se houver decisão favorável, mas a ação pode atrasar a aplicação do reajuste em toda a rede.
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Crédito da imagem: Divulgação / Grande Recife Consórcio de Transporte