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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Ataque dos EUA à Venezuela divide países da América do Sul

Ataque dos EUA à Venezuela divide países da América do Sul

Ataque dos EUA à Venezuela divide países da América do Sul – O bombardeio norte-americano que resultou na captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, expôs clivagens ideológicas entre os governos sul-americanos e reabriu o debate sobre soberania e direito internacional.

Enquanto boa parte do continente pediu moderação e ação multilateral, outra parcela celebrou a intervenção, confiando que a queda do chavismo abrirá espaço para a oposição eleita em 2024.

Condenações e apelos ao diálogo

Brasil, Colômbia e Uruguai condenaram a ofensiva e solicitaram à Organização das Nações Unidas que conduza uma resposta pacífica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação como “precedente perigosíssimo”, reforçando a necessidade de resolver crises pela via diplomática. Gustavo Petro, da Colômbia, mobilizou tropas na fronteira para lidar com um possível fluxo de refugiados, lembrando que “conflitos internos pertencem aos povos”. Já o uruguaio Yamandú Orsi adotou tom moderado: “Os fins não justificam os meios”.

A ONU estima que mais de 7,7 milhões de venezuelanos já migraram desde 2014, cenário que pode se agravar, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Países que comemoraram a queda de Maduro

Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia e o futuro governo chileno viram a captura como vitória contra o “narco-terrorismo”. Javier Milei entoou o bordão “Viva la libertad, carajo” e prometeu apoio total a Washington. Daniel Noboa, do Equador, afirmou que a “hora dos criminosos narcochavistas está chegando”. Santiago Peña, do Paraguai, ofereceu ajuda para reinstalar “liberdades plenas”.

No Chile, o contraste ficou evidente: o presidente em fim de mandato, Gabriel Boric, rechaçou a intervenção, mas o presidente eleito José Antonio Kast saudou a prisão e convocou líderes regionais a facilitar o retorno dos mais de 8 milhões de venezuelanos deslocados.

Riscos de novo fluxo migratório

A fronteira norte do Brasil e os países andinos podem enfrentar nova onda de deslocamentos caso a instabilidade se prolongue. Especialistas alertam que sistemas de saúde e abrigo já operam acima da capacidade em cidades como Boa Vista (RR) e Cúcuta, na Colômbia.

ONGs recomendam fortalecer programas de interiorização, ampliar verbas para ajuda humanitária e acelerar a concessão de documentos a refugiados, evitando redes de tráfico de pessoas.

Analistas lembram que a última grande intervenção militar dos EUA na região havia ocorrido no Panamá, em 1989. O episódio atual reacende debates sobre multilateralismo e respeito às instituições regionais, pontos que devem dominar a próxima cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

No desfecho, governos que condenaram a ação buscam alinhamento para exigir investigação independente, enquanto os que aplaudiram pressionam pelo reconhecimento imediato do opositor Edmundo González Urrutia como presidente interino.

Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros assuntos internacionais, visite nossa editoria de Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Arthur Lamonier/THENEWS2/Estadão Conteúdo

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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