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terça-feira, fevereiro 24, 2026

Ascensão e queda de Daniel Vorcaro movimentou R$ 50 bi

Ascensão e queda de Daniel Vorcaro movimentou R$ 50 bi

Ascensão e queda de Daniel Vorcaro movimentou R$ 50 bi – O ex-controlador do Banco Máster ergueu, em apenas dez anos, um império financeiro capaz de atrair R$ 50 bilhões em aplicações e provocar um prejuízo estimado em R$ 12 bilhões, hoje coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A operação, sustentada por fundos sucessivos e por uma malha de relações em Brasília, chegou ao Supremo Tribunal Federal após a defesa alegar envolvimento de um deputado federal, garantindo ao empresário o direito de depor nas dependências da Corte.

Estratégia de fundos e rede de influência

Vorcaro articulou uma pirâmide de fundos, sempre lastreada no limite de cobertura do FGC. Enquanto captava recursos, contratava estruturas jurídicas ligadas a parentes de autoridades e oferecia viagens de luxo para figuras do poder.

Relatório da Federação Brasileira de Bancos evidencia que fraudes desse porte pressionam reservas do FGC, hoje responsáveis por reembolsar R$ 50 bilhões a investidores do Máster, embora o banco tenha aportado menos de R$ 1 bilhão ao fundo.

Do Maxima ao Máster: compras relâmpago

Entre 2016 e 2025, o empresário comprou ou assumiu participação no Banco Máxima, no Banif e no Banco Will. As aquisições consolidaram a “marca Máster”, mas também concentraram riscos, já que os passivos migravam para a mesma holding familiar.

Em 2025, parlamentares aliados chegaram a sugerir elevar o teto do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — medida que, se aprovada, poderia consumir todo o patrimônio do fundo. O projeto não avançou, mas expôs a influência política construída pelo banqueiro.

Investigação inédita no STF

Designado relator, o ministro Dias Toffoli autorizou que Vorcaro prestasse depoimento dentro do STF, fato sem precedentes. Antes mesmo da oitiva de testemunhas, o magistrado convocou acareação entre o acusado e o Banco Central, movimento criticado por especialistas em processo penal.

O círculo de suspeitos cresce: escritórios ligados a ministros ativos e aposentados do Supremo, além de um membro do Tribunal de Contas da União, aparecem em contratos celebrados pelo Máster. A Procuradoria-Geral da República avalia ampliar o rol de investigados.

No cenário atual, o FGC reembolsa investidores, enquanto credores sem garantia disputam bens avaliados em patamar inferior ao rombo. Paralelamente, a defesa de Vorcaro acena com ação indenizatória contra o Banco Central, alegando intervenção indevida.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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