Acordo militar EUA-Paraguai reforça presença dos EUA
Acordo militar EUA-Paraguai reforça presença dos EUA – Na última semana, os governos de Washington e Assunção oficializaram um pacto de cooperação que autoriza a atuação de militares e funcionários civis do Departamento de Defesa norte-americano em território paraguaio.
O documento foi assinado após encontro entre o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez, segundo nota divulgada pelas chancelarias.
Termos da cooperação
O acordo prevê exercícios conjuntos, treinamento de tropas locais, intercâmbio de informações estratégicas e a possibilidade de construção de instalações de apoio logístico. De acordo com a nota, tropas dos EUA poderão circular “em missão oficial” por até 90 dias sem necessidade de visto, enquanto equipamentos bélicos serão isentos de tarifas alfandegárias.
Assunção destacou que a parceria não implica instalação permanente de bases. Já Washington classificou a iniciativa como parte da “estratégia de combate a ameaças transnacionais” na região, conforme nota do Departamento de Estado.
Impacto regional e números de defesa
O Paraguai gasta cerca de 1% do seu PIB com defesa, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), percentual inferior à média latino-americana. O acesso a tecnologia e treinamento norte-americano tende a ampliar essa capacidade sem elevar, de imediato, o orçamento nacional.
Especialistas lembram que acordos semelhantes já foram firmados pelos EUA com Colômbia e Peru, reforçando a presença militar norte-americana no hemisfério. Para o Mercosul, a medida pode influenciar negociações sobre segurança de fronteiras e combate ao tráfico, temas recorrentes na tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina.
O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai reforçou que qualquer operação conjunta observará a Constituição local, que exige autorização do Congresso para permanência de forças estrangeiras por mais de três meses.

No cenário geopolítico, analistas apontam que a cooperação também pode tensionar a relação com países alinhados a rivais estratégicos dos EUA, como Venezuela e Bolívia, onde há presença militar russa e assessoria de inteligência iraniana.
A assinatura provocou reações divididas no Parlamento paraguaio: parte da oposição critica a falta de debate público, enquanto governistas afirmam que a iniciativa garantirá investimentos em infraestrutura militar e ajudará na vigilância de 3.400 km de fronteiras terrestres.
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Crédito da imagem: Divulgação